Análise Arkade: Super Dragon Ball Heroes: World Mission é divertido e uma homenagem a franquia (com ressalvas)

27 de abril de 2019
Autor: Fernando Floriano

Análise Arkade: Super Dragon Ball Heroes: World Mission é divertido e uma homenagem a franquia (com ressalvas)

Dragon Ball é uma franquia estabelecida e muito querida na cultura pop mundial. Ao longo de décadas, acompanhamos animes, quadrinhos, games e até mesmo uma duvidosa adaptação cinematográfica, que retratam diversas fases da obra. Depois do sucesso do jogo de luta Dragon Ball FighterZ, o ocidente ganhou outro título da franquia, só que dessa vez, é uma amalgama de Card Game com uma história que faz referência aos momentos icônicos de DB.

Super Dragon Ball Heroes: World Mission foi desenvolvido pela Dimps Corporation e distribuído pela Bandai Namco e está disponível para PC por meio da Steam (R$ 199,90) e para Nintendo Switch ($59,99).

Há muita paixão nesse game e os fãs de DB certamente vão identificá-la, mas será que isso é o suficiente para proporcionar algo único, além das referências? Confira agora em nossa análise.

(Lembrando que o foco desse review é o game Super Dragon Ball Heroes: World Mission, desconsiderando referências e outros produtos desse “spin-off”)

Mundo virtual, ameaça real

Super DB Heroes: World Mission tem duas principais características: uma história extremamente expositiva, com muitos diálogos, e batalhas que ocorrem por meio do Card Game. Nosso personagem é um novato no Card Game Super DB Heroes e é a primeira vez que vai experienciar esse esporte virtual.

Nesse mundo, Goku e os demais personagens de DB, assim como os acontecimentos clássicos da franquia, são referenciados por todos, porém, inicialmente é difícil distinguir se eles de fato existem naquele mundo ou se são algum tipo de lenda. Posteriormente, essas questões são esclarecidas de forma mais concreta.

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Esse é o herói do jogo. Ele vive na… Cidade do Herói ¯\_(ツ)_/¯

Nosso herói vence algumas partidas, se mostrando um prodígio no jogo e logo chama a atenção de um personagem intitulado Mestre, que posteriormente ganha a alcunha de Grande Saiyaman 3. Nesse momento de descoberta do protagonista, algo acontece no exterior do estádio que estava sediando os jogos virtuais. Um personagem do jogo, Coola, aparece diante de todos e visivelmente suas intenções não são boas.

Após esse conflito inicial ser resolvido, somos apresentados a um conceito de “anomalia temporal”, que consiste na colisão dos mundos, reais e virtuais. Em seguida, somos convidados pelo Mestre, um notável jogador do Card Game, para integrar uma equipe de elite com o intuito de acabar com as ameaças, descobrir o que está causando as anomalias e restabelecer a ordem em ambos os mundos.

A história até que é interessante, mas a forma como é contada é extremamente “anime”, ou seja, expositiva ao extremo. É um excesso de simplicidade que até causa uma certa estafa e, além disso, as soluções narrativas acontecem muito rápido; de um diálogo para outro, sem uma grande construção de tensão ou tempo para maturar o que acabou de acontecer. No primeiro contato entre nosso personagem e o mentor Grande Saiyaman 3, a conversa se dá mais ou menos assim:

Personagem: “Apesar de ser minha primeira partida nesse jogo já consegui a primeira vitória”.

Super Saiyaman 3: “Seu potencial é incrível. Gostaria de entrar para minha equipe de elite com a finalidade de salvar o mundo de uma ameaça interdimensional? ”.

Personagem: “É claro, vamos lá”.

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O que falar desse Grande Saiyaman 3 que mal conheço, mas já considero pacas?

Sim, eu entendo como animes funcionam e sei que esse artifício de desenvolvimento rápido de roteiro é um trope clássico, mas prefiro destacar como a maioria dos diálogos se desenvolvem para que você possa decidir se isso o incomoda ou não.

Como um todo, o ritmo é bem dosado entre história e batalhas e a evolução do enredo é interessante, com a adição de outros personagens com personalidades distintas, inimigos icônicos e até algumas surpresinhas para os fãs. Se você está acostumado com animes e não se importa em exercer um pouco de sua suspensão de descrença, a jornada vai ser interessante.

Jogabilidade

Agora vamos aos elementos e principais características do Card Game. Há uma espécie de ‘grid’ no qual vemos onde estão as batalhas e os momentos de história e, para avançar no jogo, precisamos completar todo o conteúdo do capítulo.

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Essa é a visão das batalhas no Card Game.

Durante as batalhas podemos usar nosso avatar, que pode ser Saiyajin, Namekusei, Android, Freeza, Majin, entre outras raças características da franquia. Mesmo não utilizando nosso avatar nas batalhas ele evolui, então usá-lo ou não é uma decisão pessoal que não afeta nenhum quesito no jogo.

A batalha em si acontece da seguinte forma: Nosso deck é composto por sete cartas e cada uma possui um número de PV (Pontos de Vida), PDR (poder de ataque) e BLQ (poder de bloqueio). Além disso, cada carta possui quatro slots que podem ser usados para equipar itens e habilidades, passivas ou ativas. Todo esse loot é adquirido vencendo batalhas ou pode ser comprado em lojas na Cidade do Herói.

Podemos montar vários baralhos temáticos e escolhê-los de acordo com a situação. Outro elemento que nos dá certas vantagens em combate é uma variação do robô Gill, de Dragon Ball GT, que pode aumentar nosso poder de ataque, diminuir a defesa dos inimigos, aumentar nosso vigor, etc. Todos esses extras são escolhidos e assignados aos slots antes da batalha na fase de preparação, porque no confronto em si isso não é possível. Não que toda essa camada de customização pré-luta faça tanta diferença, mas é necessário um certo gerenciamento.

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Os menus são bem simples e intuitivos.

Escolhidas as sete cartas, itens e habilidades, agora é hora de ir efetivamente para o combate. Nessa fase, vemos uma espécie de tabuleiro com os personagens (nossas cartas) em 3D e linhas de ataque e defesa. Na fase de ataque, há uma soma de nossos números (PDR e BLQ) e isso gera, a cada rodada, um número de poder de ataque geral.

Nosso HP (Vida) é calculado somando todos os PV de nossa party e isso fica disposto no canto inferior esquerdo. Ao longo das rodadas nossos personagens perdem vigor, por usarem suas habilidades ou serem atacados em demasia, e esse status é recuperado mantendo os heróis na parte defensiva do tabuleiro.

Outra gama de itens extremamente importantes são as clássicas cápsulas da Bulma, da Corporação Cápsula. Elas também podem ser selecionadas antes das lutas, porém, são consumíveis e saber quando usá-las também proporciona outro elemento estratégico. Dito isso, o jogo é extremamente fácil e pensar em estratégias elaboradas é, na maioria das vezes, desnecessário.

Quando confirmamos o ataque, nossos heróis partem para uma luta ao melhor estilo Dragon Ball, voando, trocando socos e magias. O que determina se nosso ataque acertou o inimigo ou se ele conseguiu defender é um ‘medidor’.

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Cuidado ao usar os itens de habilidade: eles são consumíveis.

Basicamente, precisamos apertar o botão A (tendo como referência o controle de Xbox One) enquanto uma barra percorre um medidor da direita para a esquerda. Quem tirar a barra maior ganha e, por consequência, acerta o ataque em cheio. Tirando esse elemento, durante a campanha minha estratégia foi colocar todos os heróis em posição de ataque e quando alguém estava sem vigor o colocar na defesa.

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Existem outros ataques e habilidades que podem ser usados na batalha, como por exemplo os SA (ataques mais cinematográficos), o kamehameha, as Esferas do Dragão (uma roleta com várias opções de vantagens para nossa party ou desvantagens para os inimigos), se transformar em Super Saiyajin Deus, etc.

Tudo isso é regido por “mini-games” super simples, como mover rapidamente o analógico ou desenhar uma letra específica antes do kamehameha (como vemos nas imagens acima). Na medida em que avançamos nas fases o desafio cresce, especialmente quando os adversários tem muito PV, mas é bem administrável porque o loop de gameplay basicamente é sempre o mesmo.

Gráficos e audiovisual

Pelo fato da arte de Akira Toriyama não precisar de uma representação realística, os games de DB, de forma geral, são bonitos. Super Dragon Ball Heroes: World Mission não é diferente. Não é um produto de grande orçamento, muito longe de ser um AAA, mas dentro de suas possibilidades é agradável aos olhos.

Diria até que é um game de baixo orçamento porque são identificáveis alguns serrilhados e uma baixa quantidade de animações, tanto fora quanto dentro das lutas. Porém, isso não é um problema porque dentro dessa limitação o jogo é competente. Abaixo algumas imagens que capturei em meu gameplay:

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A trilha sonora é o maior trunfo e defeito do jogo. Todas as músicas clássicas de Dragon Ball, Z e GT, sendo elas aberturas ou encerramentos, estão disponíveis para serem ouvidas a qualquer momento. Podemos habilitá-las todo o tempo, desde o momento que estamos em uma loja comprando um item, até no próprio campo de batalha.

É uma grande homenagem incessante em forma de música que, inegavelmente, defere um ataque de mais de 8000 em nossa nostalgia. Poxa, mas se a ‘OST’ é tão boa e guia tão bem todos os momentos do jogo, qual é o problema?

Essa trilha sonora é vendida a parte por R$ 59,90 (Steam) e são dois pacotes de música, ou seja, uma das principais forças do jogo está atrás de uma barreira de R$ 119,80. As músicas que embalam a aventura sem essa adição não são ruins, mas nem de perto são memoráveis e não tem tantas variações.

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O game oferece muitas sagas do universo de Dragon Ball no modo Arcade.

O jogo está legendado em Português do Brasil e isso é um aspecto muito positivo porque há muitos diálogos e descrições de itens que, sendo em inglês, podem afastar alguns jogadores. Essa opção para o público brasileiro merece uma menção positiva pela acessibilidade que oferece.

Em termos de longevidade Super Dragon Ball Heroes: World Mission é um prato cheio. Além da campanha ser bem robusta, os modos de jogo Arcade e Batalha em Rede proporcionam o mesmo gameplay, porém, em situações diferentes e essas novas roupagens já fazem toda a diferença. No modo Arcade, por exemplo, podemos passear pelas diversas sagas da franquia (Torneio do Poder, Freeza Dourado, Deus da Destruição Bills, etc.) e aguçar nossa nostalgia.

O modo que mais vai desafiar o jogador, sem dúvida nenhuma, são as partidas multiplayer. Aí está o real desafio do Card Game e onde as estratégias simplistas da campanha não lhe serão muito úteis. Nesse modo, há toda uma nova camada a ser explorada, ou seja, é praticamente outro jogo, e duelar com outros jogadores online é desafiador e estimulante.

Conclusão

Super Dragon Ball Heroes: World Mission é divertido e oferece um Card Game com diferentes níveis de complexidade. Há muito fan service e é uma ótima maneira de revisitar cenas icônicas de DB, com adições por meio da interpretação inédita do jogo.

Diria que é aquele jogo de cabeceira, que jogado de forma homeopática, é garantia de diversão por muito tempo. Ressalva feita que as músicas clássicas poderiam fazer parte do pacote base do game, mas fora isso, o que temos aqui é uma forma interessante e diferente de vermos heróis e vilões clássicos do universo Dragon Ball em ação.

Super Dragon Ball Heroes: World Mission está disponível para PC (Steam) e Nintendo Switch e foi lançado no início de abril.

Uma resposta para “Análise Arkade: Super Dragon Ball Heroes: World Mission é divertido e uma homenagem a franquia (com ressalvas)”

  • 27 de abril de 2019 às 22:48 -

    Helinux

  • Show de bola!!!! Muito bom!!!!

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