Análise Arkade: escape de um hotel sinistro em The Spectrum Retreat

11 de julho de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: escape de um hotel sinistro em The Spectrum Retreat

Você está preso em um hotel, vivendo o mesmo dia de novo e de novo. A única forma de sair dali é… resolvendo uma série complexa de puzzles. Isso é The Spectrum Retreat, e nosso review dele você confere agora!

Bem-vindo ao Penrose Hotel

The Spectrum Retreat tem uma vibe meio Matrix. Nosso personagem esta preso em uma simulação — o Penrose Hotel — e numa espécie de Dia da Marmota: os dias ali são sempre iguais, e isso supostamente está sendo usado para te deixar preso lá para sempre, isolado em um loop de dias iguais e sendo atendido por robôs sem rosto que são um pouco bizarros.

Análise Arkade: escape de um hotel sinistro em The Spectrum Retreat

Fala sério, eles são meio assustadores, não são?

Felizmente, você possui um celular, e alguém do lado de fora — uma garota chamada Cooper — parece disposta a te ajudar a sair de lá. Porém, para fazer isso, você precisa burlar a simulação, e é aí que entram os puzzles do game: cada andar esconde um punhado de puzzle rooms que você precisa superar se quiser sair de lá.

Assim, a rotina de The Spectrum Retreat divide-se em dois momentos: ao sair da cama, devemos seguir a rotina para seguir com o simulacro e não levantar suspeitas nos robôs. Quando descobrirmos como acessar um novo andar, devemos pegar o elevador para chegar a um novo conjunto de puzzle rooms. Passando por todas, voltamos para nosso quarto, e o ciclo recomeça no dia seguinte.

Análise Arkade: escape de um hotel sinistro em The Spectrum Retreat

Ir ao restaurante é o que desencadeia os eventos do dia

Claro que as coisas não ficam sempre iguais, visto que nossas ações para “sair” do sistema afetam o funcionamento do hotel: os robôs começam a bugar, móveis começam a mudar de lugar, alguns ambientes não carregam do jeito certo, e outras bizarrices vão acontecendo. Quanto mais avançamos em nossa fuga, mais as coisas vão ficando estranhas.

Uma coisa estranha é que estes dois “mundos” de The Spectrum Retreat meio que não conversam entre si. É como se o Hotel Penrose e os puzzles fossem duas coisas completamente diferentes, o que não é o caso, afinal as salas de puzzle são meio que uma “camada inferior” do próprio hotel. Essa divisão poderia ser mais orgânica, para criar um senso de unidade ao universo do game.

Puzzles coloridos

Como dito ali em cima, The Spectrum Retreat se divide em dois momentos. Enquanto estamos no Hotel Penrose propriamente dito, o game se comporta como um walking simulator: simplesmente cumprimos a rotina e exploramos o hotel até encontrarmos o código que destrava um novo andar. Aí pegamos o elevador e vamos para onde os puzzles nos aguardam.

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É desses cubos que a gente extrai a cor para resolver puzzles

Os puzzle rooms são essencialmente isso: quartos com puzzles auto-contidos, que devemos solucionar para prosseguir. Tal qual PortalThe Spectrum Retreat incorpora uma mecânica bem específica às suas mecânicas; no caso, é a nossa habilidade de absorver cores, e usá-las para liberar passagens e pontes.

Funciona assim: há cubos de certas cores espalhados pelo cenário, e barreiras com as mesmas cores. Para passar por uma área bloqueada por uma barreira vermelha, por exemplo, você precisa estar ” carregando” a cor vermelha. E essa cor você extrai de um cubo vermelho.

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“Pegue” a cor azul do cubo para desativar a barreira azul à direita

Só podemos “carregar” uma cor de cada vez, e essa logística faz parte do desafio proposto: se você já estiver com o vermelho e interagir com um cubo verde, fará uma troca, o cubo fica vermelho e você pega o verde. Essa mecânica de “troca de cores” é utilizada para criar puzzles mecanicamente simples, mas bem engenhosos.

Conforme você avança, variações vão sendo apresentadas, em um crescente de complexidade que irá testar sua atenção e seu raciocínio. Logo você poderá se teleportar para mais perto de “alvos” da cor que estiver carregando, ou girar cômodos para poder alinhar cubos e manipular suas cores.

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Os círculos coloridos ativam o teleporte

No geral os puzzles são bem bolados e instigantes, mas, novamente, a “divisão” que rola entre o cotidiano do hotel e os puzzles acaba tornando a progressão engessada. Seria interessante se as partes de hotel e as partes de puzzle fossem intercaladas de forma mais natural, mas não é o que acontece aqui: devemos superar X puzzle rooms em sequência para só então voltarmos ao hotel, para ganharmos acesso a um novo andar, onde mais X puzzle rooms nos aguardam.

Audiovisual

The Spectrum Retreat está longe do fotorrealismo, mas traz ambientes estéreis — quartos de hotel, saguões, elevadores — que são facilmente reconhecíveis. O fato dele retratar uma simulação de um hotel meio genérico faz com que ele pareça genérico, mas isso não significa que ele é um jogo feio ou malfeito: se a proposta dele é parecer um hotel genérico, sem dúvida ele faz isso muito bem.

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A iluminação do jogo cria um clima noir caprichado

O que destoa disso são justamente os robôs humanoides: simpáticos e prestativos em um primeiro momento, eles vão se tornando mais bizarros conforme avançamos em nossa missão. O fato de não terem rosto — apenas um alto falante no lugar da boca — torna-os ainda mais assustadores, um mérito que é todo do character design.

O game tem um departamento sonoro muito competente, e abusa de efeitos de distorção para evidenciar a deterioração da simulação. Não há muitas músicas aqui, mas as dublagens são muito boas, e temos legendas e menus em português brasileiro para não ficar boiando.

Conclusão

The Spectrum Retreat parte de uma premissa interessante, mas não alcança todo seu potencial justamente por polarizar demais seus dois momentos: desassociar totalmente os puzzle rooms do resto do Penrose afeta a cadência do jogo, que seria muito mais palatável se alternasse melhor entre os puzzles e a exploração.

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O Penrose Hotel é genérico, mas é chique

É um problema mais de edição do que de game design em si (confesso que não tenho certeza se há um editor em games como há no cinema), mas essa questão de timing sem dúvida afeta negativamente o jogo. Há jogos que incorporam puzzles à sua história de forma muito mais orgânica, e isso tornaria esta experiência muito mais prazerosa.

Apesar disso, o game traz puzzles bem sacados e criativos, que só não são melhores simplesmente por funcionarem de forma quase independente ao restante do game. Há bons puzzles e uma história maneira, mas essas 2 coisas quase não se misturam, tornando o andamento do game sistemático e estranho.

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Bagunça de cubos

Jogos como Portal, InkedGorogoa  estão aí para provar que é possível misturar puzzles com história e entregar algo realmente memorável. E “memorável” definitivamente não é um adjetivo que eu usaria para descrever The Spectrum Retreat.

The Spectrum Retreat foi lançado ontem (10/07) para Playstation 4, e chega nesta sexta (13/07) para PC e Playstation 4. O game possui menus e legendas em português brasileiro.

Uma resposta para “Análise Arkade: escape de um hotel sinistro em The Spectrum Retreat”

  • 11 de julho de 2018 às 19:19 -

    onigumo

  • Nossa chegou na hora certa! Estava aqui louco por algo na pegada de Talos Principle e Stanley parable. E uma pena no entanto saber que a comunicaçao entre o gameplay e a ambientaçao nao tenham funcionado bem, aparentemente o jogo faltou pouco para ser excelente, e o pior em erros de planejamento mesmo….. mas bem, parece um otimo jogo, e chegou na hora certa, vlw pela indicaçao redaçao….

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