Análise Arkade: Valfaris traz desafio hardcore e temática sci fi ao som de heavy metal

26 de outubro de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt

Os produtores de Slain: Back from Hell recentemente lançaram seu mais novo jogo: Valfaris, uma violenta e desafiadora epopeia espacial temperada com muito heavy metal. Confira agora nossa análise completa!

Heavy metal espacial

Valfaris tem muito em comum com Slain: Back from Hell: em ambos os casos, controlamos um guerreiro badass cabeludo que viaja por mundos fantásticos aniquilando monstros grotescos e tendo de lidar com espinhos, poços de ácido e muitos outros perigos.

Análise Arkade: Valfaris traz desafio hardcore e temática sci fi ao som de heavy metal

A principal diferença está na temática: Slain era um jogo com uma pegada dark fantasy, e um apelo medieval meio gótico trevoso. Em Valfaris, a temática é puramente sci fi, e os ambientes mais coloridos e exóticos dão a impressão que os desenvolvedores foram do black metal para o glam metal.

O que música pesada tem a ver com isso? No caso dos jogos da Steel Mantis, tudo! Os caras constroem todo o jogo ao redor do heavy metal: a trilha sonora pesada estará sempre martelando seus ouvidos, e nomes de bandas e álbuns estão sempre sendo referenciados aqui e ali, tanto em nomes de personagens quantos de armas e lugares.

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Por exemplo: há uma arma chamada Manowar

Achou pouco? Pois o nome do protagonista do jogo é Therion! E sua missão é descobrir o que aconteceu com Valfaris, uma fortaleza que estava há muito desaparecida, e de repente surgiu na órbita de um sol que está se apagando. O que antes era um cidadela segura e paradisíaca virou um antro de monstros de todos os tipos. Se quiser entender o que aconteceu com Valfaris (seu antigo lar), Therion precisará enfrentar todo o poder demoníaco que se instalou ali.

Massacre espacial

Outra grande diferença está no arsenal: enquanto Slain pautava seu gameplay por golpes de espada e magias, Valfaris é sobre armas de fogo. MUITAS armas de fogo. Aliás, chamar de “armas de fogo” nem parece certo, pois aqui temos armas que atiram feixes de almas atormentadas explosivas, sabres de plasma e outras armas que parecem saídos diretamente de um sci fi gótico dos anos 80.

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Chefes enormes e gosmentos não faltam por aqui

Isso não é um demérito: Valfaris possui muita identidade, e sua preocupação em manter tudo unificado dentro desta temática de ficção científica trevosa é uma das coisas que mantém o jogo interessante — especialmente se você conseguir pegar as referências metaleiras espalhadas pelo universo do jogo.

Em termos de gameplay, temos um shooter de ação 2D bastante violento, que mistura trocas de tiros com trechos de plataforma e chefes apelões à receita para desafiar o jogador. As criativas armas do jogo fazem um baita estrago na carcaça dos monstros, e seu trabalho é basicamente seguir em frente, destroçando tudo o que aparecer no seu caminho e tentando não morrer — spoiler: é bem difícil não morrer.

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Valfaris é um jogo punitivo, que demanda perseverança do jogador para progredir. Aqui não há mais um botão para esquiva/rolamento (como havia em Slain), então, se quiser ter esperanças de chegar ao final de sua jornada, você precisará dominar as mecânicas de defesa e ataque melee do game, que são meio que complementares.

Explicando: seu escudo e suas armas mais poderosas consomem uma barra de energia (separada da de vida), e ativar o escudo na hora exata permite ao jogador defletir o ataque, “rebatendo” um projétil ou mesmo segurando-o e escolhendo o momento de liberá-lo do escudo. A melhor maneira de manter esta barra cheia é através de golpes melee com espadas e machados, que absorvem almas dos inimigos — orbes azuis –, que alimentam este medidor.

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Rebater o tiro desses bichos facilita bastante a vida da gente

Esta mecânica agrega um sopro de estratégia aos combates, mas no geral ele é bem direto ao ponto. Você não pode simplesmente bancar o Rambo e sentar o dedo no gatilho, mas também não precisa ficar calculando cada movimento. Há uma cadência que, quando dominada, vai lhe permitir alternar entre todos os seus ataques de modo que seu escudo (e suas armas) sempre tenham combustível.

Risco e Recompensa

Um detalhe interessante é que o jogo possui checkpoints que o jogador deve ativar, através de Ídolos da Ressureição, relíquias verdes que podem ser encontradas pelo mapa. Aí entra uma interessante mecânica de risco e recompensa que pode interessar aos jogadores que buscam um desafio ainda mais hardcore.

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Ativar um checkpoint é uma decisão mais complexa do que parece

Funciona assim: ao ativar o checkpoint, você gasta o Ídolo, mas garante que terá um lugar relativamente próximo de onde voltar, caso morra. Porém, todos os Ídolos que você NÃO usar serão convertidos em upgrades permanentes para suas barras de Vida e Energia ao final da fase. Ídolos não utilizados também podem ser convertidos em Metais de Sangue, consumíveis que você usa para aprimorar suas armas.

Aí você decide: o que é melhor? Ter checkpoints para não perder seu progresso caso morra, ou garantir um pouco mais de Vida e Energia para encarar as próximas fases? Até é possível encontrar um meio termo (ativando alguns checkpoints, guardando alguns Ídolos), mas fique avisado de que evitar checkpoints pode causar um bocado de frustração em certas partes do jogo, pois o nível de desafio aqui é hardcore.

Audiovisual

Eu gosto muito do estilo diferenciado de pixel art que o pessoal da Steel Mantis desenvolveu para seus jogos. Fugindo da estética retrô que domina o mercado, eles acumulam pixels para criar cenários, inimigos e personagens que têm volume, consistência. É uma estética muito própria, e ainda que possa ser um tanto carregada, no geral entrega um visual único.

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A temática sci fi de Valfaris permitiu que os designers buscassem inspiração na obra de H.R. Giger (artista plástico que criou o visual dos xenomorfos e da série Alien como um todo), e o resultado é muito bacana: os ambientes têm aquele aspecto orgânico e úmido típico de Giger, com muitas gosmas pingando e coisas pulsando por todos os cantos. É bonito, ainda que de um jeito um tanto nojento.

Há muito variedade de cenários em Valfaris, e ainda que todos tenham essa mesma vibe, uma boa utilização de cores e texturas impede que o jogo pareça sempre igual. Explosões, lasers e outros efeitos bacanas contribuem para deixar o visual interessante.

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Poços de ácido concedem mais cor aos ambientes (mas ainda podem te matar)

No aspecto sonoro, prepare-se para passar horas ouvindo faixas brutais de heavy/doom metalque irão calejar seus ouvidos. Ainda que eu goste de rock em geral, acho que essa predominância dele na trilha sonora desperdiça a chance de criar algo mais imersivo, atmosférico. O compositor é o mesmo de Slain — Curt Victor Bryan, ex-guitarrista do Celtic Frost –, e ele segue fazendo o que faz de melhor: músicas pesadas.

Conclusão

Valfaris é um competente jogo de ação e tiro 2D, que pode ser punitivo em alguns momentos, mas que no geral entrega uma experiência intensa, sangrenta e envolvente recheada de monstros bizarros e vísceras explodindo pela tela.

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A maneira criativa com que o jogo lida com seus checkpoints e upgrades é um diferencial interessante em um jogo que é bastante sólido em suas mecânicas, mas que consegue arrumar brechas para trazer inovações que se encaixam bem na estrutura do game.

Em resumo, Valfaris definitivamente não é um jogo para todos, e pode afugentar e frustrar quem não tiver fibra para encará-lo. Mas, quem gosta de heavy metal, desafio hardcore e temática sci fi tem tudo para apreciar o jogo em todos os seus aspectos.

Valfaris está disponível para PC e Nintendo Switch (versão analisada). Em novembro, o game chega também ao PS4 e ao Xbox One. Em todas as plataformas, temos menus e legendas em português brasileiro.

Uma resposta para “Análise Arkade: Valfaris traz desafio hardcore e temática sci fi ao som de heavy metal”

  • 28 de outubro de 2019 às 22:25 -

    Helinux

  • Só na expectativa mesmo…enquanto isso ouvir o som do ¨Maiden¨ mesmo!!!! valeu

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