Análise Arkade: O surpreendente Vigil The Longest Night

27 de outubro de 2020
Autor: Renan do Prado
Análise Arkade: O surpreendente Vigil The Longest Night

Dark Souls influenciou muitos games, entre eles, Salt & Sanctuary. E esse também gerou influências, sendo a principal inspiração que deu vida à Vigil: The Longest Night, um metroidvania bem surpreendente que foi lançado recentemente!

Então venha conosco conferir nossa análise completa do game e da luta terrível contra a noite que nunca tem fim e seus terríveis monstros!

A luta contra a noite

Análise Arkade: O surpreendente Vigil The Longest Night

Em Vigil: The Longest Night assumimos o controle de Leila, uma Vigilante, guerreira de uma ordem exterminadora de monstros (quase uma Witcher), que após muitos anos recebeu uma carta de sua irmã Daisy, pedindo que ela retorne à cidade natal delas, a cidade de Maye.

Leila volta a seu lar, que está rodeado de monstros em suas muralhas externas. E então, ela aproveita para cumprir seu dever, ajudando os habitantes da cidade a exterminar os monstros, enquanto se prepara para reencontrar sua irmã. Tudo isso num mundo de noite eterna, em que ninguém jamais viu a luz do sol, pois a Deusa da Luz não mais compartilhou de sua bênção com os humanos.

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Porém, nem tudo é o que parece e algo estranho está fazendo com que os monstros apareçam mais e mais. E Leila então deve, além de lutar contra hordas de criaturas perigosas, descobrir o que realmente está acontecendo, em uma trama que envolve a si mesma, sua irmã, a cidade de Maye e outros estranhos segredos que transcendem a própria realidade.

Uma aventura que vai além da existência

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O game é um Metroidvania com elementos de RPG e Souls-like. Mas sua principal característica está em sua história e em seu mundo. Não entrarei em detalhes sobre isso, pois aí estaremos entrando em terrenos de spoilers, mas comentaremos um pouco sobre esses elementos.

A primeira coisa que se sobressai em Vigil: The Longest Night é que esse é um game cujos elementos de RPG são bem fortes, em especial seu sistema de quests. Diferente de Metroidvanias tradicionais, em que você é inserido num mapa gigantesco e deve explorá-lo livremente, sem necessariamente ter objetivos específicos para concluir, aqui você tem muitas atividades para fazer.

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O game possui vários NPCs diferentes, muitos com histórias próprias. Ao conversar com vários deles você receberá missões, seja de salvar alguém, recuperar algum item ou artefato, ou ouvirá rumores para investigar. A exploração do mapa é livre, mas as quests te dão direções a seguir, e cada quest concluída ajuda a entender o que está acontecendo no mundo.

Assim, o senso de estar perdido é mitigado por esses objetivos a se cumprir. Você ainda pode explorar o mapa livremente e fazer tudo por conta própria, mas ainda assim o game lhe oferece um norte a seguir. E algo que vale a pensa ser mencionado é que muitas dessas quests são progressivas. Liberando novos objetivos conforme avançam. E você pode falhar nas quests!

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Em minha jogatina tive algumas quests automaticamente canceladas por realizar alguma ação ou derrotar um boss específico durante minha exploração. Isso mostra que muitas quests envolvem diferentes elementos e acontecimentos. Assim, se você desejar completar tudo, deve pensar bem antes de enfrentar um boss, entrar em alguma área e etc.

Há ainda um recurso bem interessante, que está atrelado mais ao enredo, mas com grandes reflexos no gameplay. Explicando de forma simplificada, em certos momentos há uma enorme mudança no mundo do game, podendo até mesmo remontar todo o mapa. Se isso acontecer, algumas quests serão consideradas fracassadas se você não as terminá-las antes desses eventos. Isso aconteceu comigo algumas vezes.

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Tudo isso adiciona longevidade ao game, que já é longo, com um mapa imenso cheio de áreas diferentes, incluindo áreas secretas. E com as quests, sua duração aumenta ainda mais. Esse é um game que você gastará umas boas dezenas de horas até chegar ao final, mas você é livre para cumprir ou não certas quests, fora das quests principais que avançam a narrativa.

Metroidvania + RPG + Souls Like

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O gameplay de Vigil: The Longest Night é uma mistura desses três gêneros. Em Metroidvanias você avança ao conseguir upgrades escondidos nos cenários. Isso existe aqui, com habilidades como pulo duplo, deslizar no chão e etc.

Em RPGs há evolução de personagem, aqui temos isso na forma de árvores de habilidades, divididas em 5 categorias: Espadas, Machados, Adagas duplas, Arcos, HP/Stamina. Ao subir de nível eliminando monstros você ganha pontos de habilidade para gastar nessas cinco categorias, desbloqueando ataques poderosos ou alguns buffs de HP, força e etc. Com isso você pode moldar a evolução de Leila para seu estilo, sem precisar de muita deliberação sobre onde gastar seus pontos.

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E por fim, a parte Souls-like, que é a menor do game, ficando mais no gameplay baseado em estamina. O interessante é que é possível puxar um pouco mais da barrinha de estamina aqui. Ao gastá-la, ela começa a ser preenchida em amarelo, e se ela se encher, você ficará exausto, deixando Leila imóvel e vulnerável por alguns segundos. Com isso há mais flexibilidade nos ataques, você não precisa contar golpes antes de parar, pode ir um pouco mais além, mas correndo o risco de ficar exposto.

Toda essa mistura casa de forma muito agradável e divertida. Há bastante variedade de ataques com cada tipo de arma, e unindo isso aos pontos de habilidade, você pode focar nas armas que mais gosta de usar. No meu caso, coloquei as habilidades de espada e machado no máximo, conseguindo causar muito dano com golpes poderosos.

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Há ainda a evolução de armas e equipamentos no ferreiro na cidade de Maye, e é muito importante melhorar seus equipamentos, pois isso faz uma grande diferença em ataque e defesa. Aliás, os anéis e armaduras (elmos, máscaras, tórax, calças, botas e luvas) são os responsáveis por alterar os stats de Leila, assim experimentar diferentes sets de armaduras causam enormes diferenças, seja aumentando sua defesa a certos danos ou até mesmo permitindo que você gaste muito menos estamina ao atacar. Em resumo, seja criativo e experimente diferentes combinações, pois elas realmente influenciam a jogatina.

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E há ainda itens consumíveis como bombas, facas de arremesso e outras armas. Além disso há os itens arcanos, que são usados para executar diversas magias diferentes, como lançar bolas de fogo, nuvens de veneno, conjurar morcegos e muito mais. Esses itens podem ser usados livremente, apenas tendo um tempo de cooldown após cada uso.

Em minha jogatina (na versão PC do game), tive um estranho problema na configuração dos controles do game. Usando um Dualshock 4, tudo funciona normalmente, mas ao acessar a tela de mapeamento de controles, tudo fica muito bagunçado, desconfigurando todos os botões. A solução que encontrei para consertar isso era mudar o layout visual dessa tela para o controle do Xbox. Esse bug certamente já foi corrigido nos últimos patches do game, mas ainda assim, tome cuidado.

Audiovisual

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O game tem um visual bem interessante. Todos os cenários, NPCs e inimigos são feitos em 2D, desenhados a mão, com Leila sendo a única personagem em 3D do game. Esse contraste inicialmente parece estranho, mas logo que você se acostuma começa a ver que essa foi uma escolha interessante.

O design dos cenários é muito bem feito, com uma estética medieval/gótica de terror muito forte. Desde florestas enluaradas, cidades decrépitas, catacumbas, cemitérios, cavernas escondidas, todos os cenários são tenebrosos. E os monstros do game são muito bem desenhados, desde zumbis, animais mutantes até criaturas aquáticas cheias de tentáculos que parecem saídas diretamente de um conto de H. P. Lovecraft.

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Na parte sonora o game é bem competente, principalmente em sua trilha sonora que mistura metal com instrumentos medievais, num estilo bem semelhante ao da série Castlevania, tomando Symphony of the Night e Curse of Darkness como exemplo. Há porém alguns pequenos glitches nas músicas em certos trechos, por exemplo ao passar por certos pontos em diferentes áreas que fazem com que as músicas cessem abruptamente.

O game não possui vozes, com exceção de gritos e sons de ataque de humanos e monstros. E o game é totalmente localizado em português brasileiro, com um excelente trabalho de localização, tanto em menus, legendas e textos encontrados em documentos.

Conclusão

Análise Arkade: O surpreendente Vigil The Longest Night

Vigil: The Longest Night é um metroidvania muito divertido. Com um gameplay bem feito, mapa gigantesco e contando com seu sistema de quests que adiciona mais vida útil à aventura. Esse é um game que realmente vale a pena para os fãs do gênero. E mais ainda se você for fã de Salt & Sanctuary!

Vigil: The Longest Night foi lançado no dia 14 de outubro com versões para PC e Nintendo Switch. O game também foi anunciado para Playstation 4 e Xbox One, mas essas versões ainda não possuem previsão de lançamento.

Uma resposta para “Análise Arkade: O surpreendente Vigil The Longest Night”

  • 29 de outubro de 2020 às 12:14 -

    Gabriel Cardoso

  • Muito boa a descrição e análise do game. Vou, com certeza, adicioná-lo à minha lista

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