RetroArkade – Bushido Blade e a arte do combate com espadas

28 de janeiro de 2018
Autor: Junior Candido

RetroArkade - Bushido Blade e a arte do combate com espadas

Os jogos de luta de videogame são em sua maioria, sinônimos de raios flamejantes, golpes mirabolantes, saltos triplos e bolas de fogo. Há alguns games que exigem alguma técnica real de luta, e outros que até se inspiram neles, mas a realidade é que os jogos sempre escolhem o lado da ação, deixando os combates, seja mais ou seja menos, fora da realidade.

Voltando ao ano de 1997, os jogos de luta estavam em alta, com vários títulos fazendo a cabeça dos ratos de fliperamas. Nos videogames, The King of Fighters ’96 chegava aos consoles 32-bit, após sua jornada nos arcades, Street Fighter Alpha 2 também fazia bonito, assim como Marvel Super Heroes. Pelo universo 3D, nós tínhamos Toshinden, Virtua Fighter, Tekken e Soul Blade (Soul Edge) entre os destaques.

Neste contexto, a Light Weight e a Squaresoft acaboram escolhendo um caminho completamente diferente de todos os outros jogos do gênero em sua época, sejam eles em duas ou em três dimensões. Ao invés da barulheira, o silêncio. No lugar de combos de 50 hits, apenas um golpe bem executado era o suficiente para matar e, falando em matar, nada de oponente desmaiado após sua barra de energia se esgotar, o negócio aqui é sangue (pelo menos na versão dos EUA do game) e oponentes mortos pelo fio de sua espada.

Tal decisão mudou o gameplay de forma radical. para efeito de comparação, um jogo de espadas que fazia muito sucesso na época era Soul Blade, e por se tratar de um game arcade, você tinha luzes e mais luzes em cada golpe, além de combates rápidos com arena e tempo para acelerar as coisas. Já em Bushido Blade, os combates podem durar poucos segundos, se os pontos vitais do oponente for rapidamente atingido, como pode demorar muito, se ambos os oponentes conseguirem se anular.

Com sua espada principal e arma secundária em mãos, o combate exige um estudo de seu oponente, assim como a criação de estratégias que sejam úteis a seu favor. É possível, por exemplo, atacar braços e pernas de seu adversário, para incapacitá-lo e melhorar suas chances. Você pode lutar em três posições, que são a alta, a média e a baixa, e, em cada uma delas, três ataques podem ser executados, mirando a cabeça, o tronco ou as pernas. O bloqueio é padrão do jogo, expondo o personagem apenas quando ele ataca, por isso, atenção sempre é fundamental por aqui.

Porém é impressionante como que, apesar do alto nível de violência que o game oferece, Bushido Blade não é exagerado em nenhum momento. Sua jogatina nos leva ao combate honrado da época em que se inspira, em que a morte é observada com muito respeito e reflexão. Não estamos falando aqui no prazer de um guerreiro em matar, e sim, em sua superação ao derrotar um oponente equivalente, de forma fatal. Um fato presente aqui é que, mesmo com o sangue presente na versão vendida nos EUA (no Japão raios amarelos simbolizam os golpes), ou o incentivo a ferir partes específicas do oponente, nada aqui é feito “por prazer”.

Bushido Blade ganhou uma sequência e, embora não seja o jogo de luta mais conhecido em meio a tantas franquias bem mais famosas, ganhou adeptos que o apreciam até hoje. Trata-se de um game bem diferente, em uma época que a indústria do videogame estava bem criativa, e arriscava mais, acertando ou errando. Não sei se a impaciência dos nossos dias fariam com que vingasse uma nova versão do game, mas com certeza, este jogo é um dos vários que mostram que é possível apostar em formas diferentes de se produzir games de gêneros populares.

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