RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?

29 de março de 2015
Autor: Junior Candido

RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?

A Sega e a Nintendo protagonizaram uma das maiores guerras da história do videogame. E suas representantes no Brasil também travaram emocionantes combates pela preferência do consumidor. Que tal reviver os combates?

Quem viveu a década de 90 sabe: Nintendo e Sega eram como Tom & Jerry: sempre tentando levar a melhor um sobre o outro, oferecendo novidades em jogos, consoles, tecnologias e até na propaganda, onde a provocação rolava solta. Quem ganhava com isso era o jogador, que entre o “Nintendon’t” e outras provocações, tinha um acervo de jogos ricos e interessante, independente do sistema.

E por aqui no Brasil a história não podia ser diferente. Mas uma vez que tanto as duas companhias não estavam oficialmente no país, este trabalho era destacado para suas representantes locais. Eram as representantes que tinham a missão de atrair o gamer para o seus consoles, seja utilizando as “armas” as quais eles já utilizavam pelo mundo, seja usando de recursos próprios para chamar a atenção.

Dito isto, vamos conhecer os “lutadores”.

Tec Toy: o sinônimo de Sega no Brasil

RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?

Hoje a empresa se chama Tectoy e fabrica vários dispositivos eletrônicos, mas desde sua fundação em 1987, seu alvo era bem específico: os videogames, aqueles “joguinhos de ligar na TV” que estavam fazendo muito sucesso com Atari e seus semelhantes.

E em uma época de lei de Reserva de Mercado, onde você não podia simplesmente importar videogames (basta lembrar da nossa RetroArkade que fala sobre os vários Nintendinhos brasileiros), a Tec Toy então buscou acordos e conseguiu após muita insistência convencer a Sega a produzir seu Master System, que chegou por estas terras em 1989.

Mas não foi apenas o videogame que a empresa trouxe. Agressiva como a Sega (mas educada, sem provocar os concorrentes), a Tec Toy trouxe um serviço telefônico, o Hot Line, onde dicas eram oferecidas pelos atendentes. Lembro de conseguir terminar Alex Kidd após a dica oferecida por eles para obter continues. Os tempos eram outros…

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Site da Tec Toy em 1997. Valeu, Internet Archive!

Além do Hot Line, os donos de Master System também contavam com o Master Clube e até programas de TV como o Master Dicas na Globo e mesmo o Play TV do Gugu que não era de forma direta apoiada pela Tec Toy, mas usava jogos de Master System em seus desafios. Para somar a linha de produtos, em 1990 chegou o Mega Drive e um ano depois, o Game Gear, todos fabricados na Zona Franca de Manaus, além do Sega CD e o 32X. Até o Mega CDX foi lançado por estes lados.

Os jogos vinham com caixa e manual em português e sempre foi notável o cuidado desta empresa com o jogador. Iniciativas mais ousadas trouxeram um Phantasy Star totalmente traduzido, jogos adaptados para a nossa cultura, como o Sapo Chulé, Castelo Rá-Tim-Bum ou Chapolin x Drácula, indo até ao ponto de publicar seu próprio jogo 100% feito aqui: As Férias Frustradas de Pica-Pau.

Também foi ela quem trouxe a Internet pra os consoles com o Mega NET, serviço que dispunha de um cartucho com entrada para cabo telefônico para acessar a rede e até jogar online. Um serviço caro e bem limitado, pois estamos falando de Internet em 1996, mas sempre vanguardista.

E ainda com o lançamento do Saturn, a Tec Toy ainda teve a audácia de trazer Street Fighter II para o Master System, em uma edição simplificada, mas que explorava ao máximo o console de 8-bits da Sega. E tudo isso foi indo até a própria queda da Sega com o Dreamcast em 2001. A decadência dos consoles da Sega, somados à presença cada vez mais constante (pirata) do Playstation no país ajudaram a diminuir os ganhos da empresa e exigir dela uma reestruturação.

Hoje a Tectoy (tudo junto) ainda comercializa os consoles da Sega, mas versões mais simples e com vários jogos na memória. Seu foco mudou, mas não tem como negar como sua presença como algo muito importante ao mercado de videogames nacional. Entre acertos como o Pense Bem e erros como o Zeebo, nunca podemos deixar de reconhecer sua importância.

Playtronic: A casa brasileira de Mario e companhia

RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?

A história da Playtronic começa lá pelos idos do Atari. Quando a Polyvox, subsdiária da Gradiente, obteve um enorme sucesso com as vendas do Atari 2600, que estavam sendo fabricados em Manaus, a empresa brasileira tentou lançar seu próprio console. A ideia era lançar o Atari 7800, mas já que o interesse dos jogos da Atari estava diminuindo no fim dos anos 80 e o NES começou a ser o queridinho das locadoras, a Gradiente mudou de última hora e assim nasceu o Phantom System.

Com experiência no mercado e a união de outra gigante do mundo dos brinquedos, a Estrela, ambas fundaram a Playtronic e convenceram a Nintendo a lançar seus jogos aqui, fazendo concorrência com a Tec Toy que era soberana com seu Mega Drive. A Gradiente/Estrela expandiriam seus negócios enquanto a Nintendo entrava de vez no mercado brasileiro, mesmo que sendo representada.

E foi em 1993, dois anos depois que os Estados Unidos, que o Super Nintendo chegou aqui de maneira oficial. Chegaram até a trazer o NES, já veterano, como parte de seu leque de produtos. Mas foi com a dobradinha Super Nintendo/Game Boy que a empresa foi se consolidando e gerando a saudável concorrência na época. Trouxe comerciais bem bolados e embora oferecendo menos oferta do que a Tec Toy, também se mostrou como um serviço bem competente.

E quando saiu o Nintendo 64, a presença da Playtronic, agora apenas Gradiente Entertainment, já que a Estrela saiu do negócio vendendo sua parte da sociedade, aumentou ainda mais, alcançando revistas com promoções (lembra do controle dourado na época da Copa de 1998?), contando com caixas grandes para divulgar seus jogos e até com a dublagem de South Park. Além de manter por muitos anos o seu Power Line, equivalente ao serviço da concorrência de dicas por telefone.

E a Gradiente se manteve fabricando Nintendo por aqui até 2003, quando em plena era Gamecube, decidiu sair do ramo, alegando dólar alto (devido a crise de 1998-2000?) e a pirataria que dominava quase todo o mercado gamer até então.

E aí, quem venceu?

RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?

De uma maneira bem consciente, quem venceu foi o gamer brasileiro. Os números não apresentam muitos detalhes, mas se estamos falando de consoles e jogos fabricados no Brasil, a Tec Toy claramente leva vantagem, por ter chegado primeiro e ter presença mais constante nas lojas. Os consoles da Nintendo (especialmente o Super NES), embora presentes aqui, ainda chegavam em grande quantidade via importação, após a lei de Reserva terminar.

Mas como toda briga de videogames, empresas e sistemas, quando ela é feita para que o jogador tenha opção de escolha, todos saem ganhando. Assim como a Sega e a Nintendo brigaram ferozmente pela preferência, com jogos exclusivos e até partindo pro “ataque verbal”, as suas representantes fizeram sua parte, com projetos, cuidados com o consumidor e com certeza, preparando muito terreno para o que temos hoje. Por isso ao invés de discutir quem “foi a melhor” entre as duas, o que deveríamos fazer na verdade era agradecer a eles por tudo que fizeram por nossos jogos e nossa cultura gamer nacional.

7 Respostas para “RetroArkade: a guerra SEGA x Nintendo no Brasil foi Tec Toy x Playtronic. Quem venceu?”

  • 29 de março de 2015 às 11:50 -

    leandro(Leon belmont)alves

  • Quem ganhou?  Aí depende. Penso que a maioria dos brasileiros conviveu e prefere o snes.  Mas o mega tem a sua cota em outros países como os EUA,  Mas se perguntar quem desses está melhor… diria que nenhum deles.  A sega virou uma software que de vez em quando faz um jogo bom e a Nintendo está competindo com 3 ” garotos mais velhos ” Microsoft,  Sony e PC.  E mesmo com uma grande base de fãs,  esta ainda penando em conseguir novos e graças a diretores ancioes que não enxergam os tempos atuais.  Eu penso que essa fora o início das guerras de bits

    • 29 de março de 2015 às 19:32 -

      Sergio

    • Nossa cara quanta besteira se falou. A pergunta é quem ganhou na época,  e naquele tempo havia muito mais console da tectoy do que da Nintendo por aqui. Quanto a hoje em dia, você precisa levar em consideração o público alvo da Nintendo que mudou. Enquanto a Sony e a Microsoft estam focando em players hard-core, a Nintendo está mais voltada pros casuais.

      • 30 de março de 2015 às 09:15 -

        leandro leon belmont alves

      • você não leu o que escrevi e menos entendeu o que falei, eu estava avaliando as duas empresas hoje, eu não falei que o Brasil ignorava o Mega Drive. basta lembrar das locadoras da época, e a Nintendo é o tradicionalismo mesmo que a derruba hoje em dia (embora aos poucos ela deixe isso) até os Nintendistas em sites da mesma reclamam disso

      • 30 de março de 2015 às 09:17 -

        leandro leon belmont alves

      • e na época, tecnicamente ambas empataram, nenhuma ganhou.

  • 29 de março de 2015 às 12:06 -

    CARECA

  • Lembro como se fosse hoje meu pai chegando com meu mega drive 3 na caixa. Um dos momentos mais marcantes da minha infância.

  • 29 de março de 2015 às 17:11 -

    Clayton

  • Eu e meus amigos éramos do lado do Mega Drive.

  • 5 de março de 2016 às 00:18 -

    Rafael

  • Pelo menos aqui na minha cidade, mal se via Mega Drive.Com certeza, a Nintendo era muito mais popular, e ainda é até hj.Não é à toa que o preço do SNES e seus cartuchos estão lá em cima.

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