RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color

24 de maio de 2020
Autor: Junior Candido
RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color

Em 1998, o mundo dos games viu uma de suas grandes revoluções. Metal Gear Solid havia chegado ao primeiro Playstation. E com ele, vimos um enredo cinematográfico, o famoso gameplay, baseado no stealth, e muitas surpresas que agradariam a muitos jogadores. Foi, também, um dos excelentes games lançados em 1998, considerados por muitos, como o melhor ano da história dos videogames.

E, neste mesmo ano, o Game Boy ganhava cores. Teria um “sobrenome”, o Color, e seria levemente melhorado. Permitindo, assim, novos e mais interessantes games. Aproveitando o sucesso e a portabilidade, era comum que publishers adaptassem, de alguma forma, suas franquias de sucesso, para a telinha do Game Boy.

E, entre 1998 e 2000, várias destas franquias apareceram na telinha do console. Resident Evil, por exemplo, até tentou uma versão adaptada da aventura original, mas no final, ganhou o Gaiden, que trazia uma história diferente. Tomb Raider, Perfect Dark, e Driver, são alguns destes exemplos. Mas a Konami viu também uma oportunidade para colocar Metal Gear Solid na telinha do pequeno notável da Nintendo.

A união do passado com o presente

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color

Metal Gear pode ser, no final dos anos 90, dividido basicamente em “duas partes”: a dos games originais, do MSX (e até as versões toscas de NES), e a do game do primeiro Playstation. E a escolha foi a mistura destes “dois mundos”: teríamos o gameplay inspirado nos games de MSX, para “respeitar” as limitações do Game Boy, mas com todos os elementos visuais de Metal Gear Solid, como a animação do codec, ou o estilo de Solid Snake.

A razão é simples: Metal Gear Solid, de Playstation, havia vendido, só em 1998, mais de um milhão de cópias. Assim, ficaria mais simples divulgar o game, que teria a mesma logo do seu “irmão de 32-bits”, além das mesmas artes, e design de personagens. Para o marketing, não havia escolha melhor.

Em Ghost Babel, Hideo Kojima tem seu nome creditado na produção, e explicou, em 2000, que o game surgiu pelo pedido da Konami Europe para uma versão de Game Boy Color de Metal Gear Solid, uma vez que o mercado europeu recebeu muito bem o game de Playstation. Aliás, Ghost Babel compartilha do mesmo GB do Game Boy, um “truque” de marketing muito comum em alguns games. E usado à exaustão no Nintendo DS, né, Resident Evil: Deadly Silence?

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color
O bom e velho Codec, presente também no Game Boy Color

Kojima aceitou o pedido, como um “desafio”, para mostrar a si mesmo como ele “funcionaria” em sprites, levando a mesma iniciativa do Playstation, mas com hardware muito mais limitado. E o game também serviu de laboratório, para que ele testasse ideias conceituais que aplicaria em Metal Gear Solid 2, que sairia no ano seguinte, para Playstation 2.

As semelhanças continuam. Ikuya Nakamura, que trabalhou nos polígonos do game de 1998, agora faria a arte pixelizada do jogo portátil. Mas, diferenças também faziam parte do projeto. Além de algumas “nintendices”, como a “ausência” do cigarro de Snake, a história, ao invés de ser um “port” de Playstation, também seria exclusiva. Mas, com uma “liberdade”: funcionaria como um spin-off, sem a “pressão” de uma ligação direta com a série principal.

Snake, venha salvar o mundo outra vez, por favor!

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color
Sim, tem muita conversa no portátil também!

Ghost Babel não é canônico. Ele acabou sendo considerado, de certa forma, como uma sequência “não-oficial” dos games de MSX, o Metal Gear e o Metal Gear 2: Solid Snake. O “Solid” na embalagem do game está ali apenas por razões comerciais. O game assume uma linha do tempo própria, ignora a série “Solid”, e conta fatos ocorridos sete anos depois dos eventos de Outer Heaven, em Metal Gear (o de MSX).

Um C-5 Galaxy, avião da Força Aérea dos EUA foi sequestrado. E com ele, um (adivinha?) Metal Gear (sempre ele, o veículo bípede capaz de efetuar ataques nucleares e blá blá blá…). Um grupo separatista, conhecido como Gindra Liberation Front sequestrou a máquina para usá-la em sua guerra civil, no pequeno país da África do Sul chamado Gindra.

Metal Gear à solta, é a hora de Roy Campbell chamar Solid Snake de sua aposentadoria para, de novo, “salvar o mundo”. Campbell convence Snake, retirado no Alaska, da gravidade da situação, e o infiltra em Galuade, a base inimiga. Que não é nada mais, nada menos, Outer Heaven, a base que Snake invadiu, anos atrás, para destruir o Metal Gear original, o TX-55.

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color

A partir daí, Solid Snake inicia sua missão, com um time de apoio. O agente de Segurança Nacional Steve Gardner chefia a missão. Mei Ling é a suporte técnico, e a desenvolvedora do radar, servindo também como a “save point” do game. O agente da CIA Brian McBride e Chris Jenner, uma das sobreviventes da Força Delta, que adentraram a base, completam o elenco.

E, nessa mistura entre passado e presente, levando elementos de todos os games da série até então, o Game Boy Color ganharia uma aventura bem interessante. Que não carregava o fardo de ser um game canônico, mas que não desapontava em sua missão de entregar um game interessante para o pequeno console da Nintendo.

Uma aventura digna de Solid Snake

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color

O gameplay de Ghost Babel é o mesmo dos games de MSX. O menu, com os vários itens e armas comuns da série, é acessado com o Select, enquanto o Start faz Snake rastejar pelo chão. Com a visão por cima, em 2D, o Snake do Game Boy tem que fazer o que faz de melhor: andar pelas fases do game, sem chamar a atenção de ninguém. Um ranking, a cada fase concluída, mostra o seu desempenho, ficando melhor na base do “mais rápido, menos detecções, menos mortes”.

O codec está lá, pronto para conexão com seus aliados, que oferecerão dicas e conversarão sobre elementos importantes da história. Mas, diferente do Playstation, o game foi sub-dividido em estágios, com um total de 13. Mesmo seguindo em forma de uma história única, o formato atende as necessidades de gameplay rápido do Game Boy, podendo cumprir “as fases”, de maneira rápida, numa espera ao dentista, por exemplo.

RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color
Quer mais? Tem 150 VR Missions pra você!

E, para quem terminar o game, uma surpresa: assim como no Playstation, há VR Missions. 150 delas. E ainda há um “versus” disponível via Game Link. Era um pacote bem completo, para um console com games já bem limitados.

O primeiro Metal Gear Solid que não contou com a direção de Hideo Kojima (os de NES não contam) manteve muito da essência da série. Suas escolhas foram adequadas, devido ao que o Game Boy Color poderia oferecer. Não seguir os eventos canônicos deu liberdades para o desenvolvimento, mas nem por isso o game ficou longe de suas raízes. Pra você ter ideia, Snake também é chamado de “lenda” por aqui, o Metal Gear original está quebrado na base, o design do codec é o mesmo do game de 32-bits, e outros games da série, como o remake Twin Snakes, ou Metal Gear Solid 4, fazem referência à Ghost Babel.

Com certeza, mesmo não sendo um dos games mais famosos da série, e mesmo não sendo um game canônico, é possível perceber muitas qualidades em Ghost Babel. O Game Boy Color recebeu, em sua vida, diversas adaptações, mas a grande maioria com a clara impressão de existirem apenas para tentar lucrar um extra com franquias famosas. Não que Metal Gear Solid não tivesse o mesmo objetivo, mas a primeira aventura portátil de Snake, com certeza, tem qualidade, e abriria as portas para que outras versões portáteis fossem desenvolvidas, como Portable Ops, ou o aclamado Peace Walker.

Uma resposta para “RetroArkade: Ghost Babel, o Metal Gear Solid do Game Boy Color”

  • 24 de maio de 2020 às 20:51 -

    Helinux

  • uma verdadeira obra de arte!!!! cheguei a pensar em jogar um dia desses!!!! Recomendo!!!! valeu!!!!

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