Análise Arkade: Granblue Fantasy Versus é um ótimo jogo de luta (com pitadas de RPG)

9 de março de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Granblue Fantasy Versus é um ótimo jogo de luta (com pitadas de RPG)

Granblue Fantasy pode não ser o RPG mais popular no Ocidente, mas ele sem dúvida tem tradição (e milhões de fãs) no Oriente. Depois de receber uma série animada e ser adaptado para o formato mangá, agora o jogo mobile da Cygames se transformou em um ótimo jogo de luta, produzido pela sempre caprichosa Arc System Works!

Contextualizando

Apesar de não ter muito apelo deste lado do planeta, Granblue Fantasy tem algumas “lendas” da indústria de JRPGs envolvidas em sua produção. Nobuo Uematsu — célebre compositor de diversos jogos da série Final Fantasy, de Chrono Trigger e de Blue Dragon — é co-autor de boa parte da trilha sonora do game, enquanto a direção de arte é assinada por Hideo Minaba, que também passou pela série Final Fantasy e por Lost Odyssey.

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Confesso que nunca joguei Granblue Fantasy, pois 1) ele aparentemente não está disponível oficialmente em nosso país e 2) eu não jogo praticamente nada no celular. Mas, pelo que pesquisei para este review, o jogo é um RPG por turnos ambientado em um mundo de fantasia onde piratas dominam os céus em suas airwings. Elementos típicos de RPGs, como classes de personagens e summons, também marcam presença por aqui.

Um baita jogo de luta

Bom, mas vamos o foco no objeto de análise em questão, que é o jogo de luta inspirado neste JRPG mobile: Granblue Fantasy Versus. O gameplay usa os principais botões do controle (joguei no PS4 Pro) para desferir ataques básicos de diferentes níveis de força. Não há botões específicos para socos ou chutes, o personagem executa as animações de acordo com o comando utilizado. Também temos um botão de esquiva e outro de agarrão, localizados nos gatilhos.

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A jogabilidade não é das mais complicadas para quem já é minimamente familiarizado com jogos de luta. Praticamente todos os personagens usam algum tipo de arma branca (espadas, chicotes, foices), mas há também um grandalhão mais ao estilo grappler que aposta somente em seus músculos (e seus agarrões) para lutar. Seguindo a cartilha, personagens pequenos e magrelos são mais ágeis, enquanto os mais pesadões batem mais forte.

Mecanicamente, o jogo flui muito bem — afinal, estamos falando de um jogo da Arc System Works, uma das expoentes dos fighting games. O gameplay não é tão acelerado quanto o de Dragon Ball FighterZ, tendo um ritmo um pouco mais cadenciado, semelhante ao que vemos em Guilty Gear. Combinações simples de botões produzem combos, que podem ser “turbinados” com golpes especiais.

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Confira uma batalha completa no vídeo abaixo:

Em tempos onde boa parte dos jogos de luta busca ser amigável com seus easy combos e combinações automáticas (que acabam incomodando players mais experientes), Granblue Fantasy Versus vai por um caminho um pouco diferente: há um botão (R1 no PS4) exclusivo para o uso de magias e habilidades especiais através de comandos simples (+ R1 ou + R1). Porém, estes mesmos golpes também podem ser feitos da maneira tradicional (meia lua + ataque, por exemplo), o que torna este “atalho” totalmente descartável para quem quer jogar na raça.

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Os golpes especiais têm animações bem estilosas

Outro detalhe interessante está no cooldown: como em Street Fighter, ataques especiais têm diferentes níveis de potência, de acordo com o botão que for pressionado. Quem usa este atalho do R1 automaticamente usa a versão mais forte do golpe… porém, estes habilidades possuem um período de “recarga”, sinalizado abaixo da barra de vida dos personagens. Além de remeter ao RPG que deu origem ao jogo, isso também elimina a chance de ondas infinitas de ataques por quem utiliza o R1.

Acho que a maior escorregada do game está na pequena quantidade de personagens selecionáveis: são apenas 11 lutadores selecionáveis, bem pouco para os padrões atuais de fighting games. E o pior: a tela de seleção de personagens traz 13 personagens, mas 2 deles já chegaram como DLCs pagos!

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Dos 13 personagens desta tela, apenas 11 são selecionáveis

O primeiro “Character Pass” trará um total de 5 novos combatentes, mas isso não muda o fato de que o elenco inicial é bem limitado, e o fato de já sair “da fábrica” com 2 personagens bloqueados é uma baita sacanagem.

Que traz “de brinde” um RPG mais ou menos

Não é novidade para ninguém que hoje em dia um jogo de luta precisa oferecer mais conteúdo aos seus jogadores. O sucesso do “Modo História Cinematográfico” instituído no reboot de Mortal Kombat praticamente obrigou as outras desenvolvedoras a acrescentarem algo do tipo em seus próprios títulos. Algumas fizeram isso muito bem… outras deixaram a desejar, e tiveram que correr atrás do prejuízo.

Como game oriundo de um RPG, Granblue Fantasy Versus tenta inovar, trazendo o invés de um “Modo História”, um “Modo RPG” que é até que denso em suas possibilidades… mas bastante repetitivo em sua progressão.

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Telas parcialmente estáticas e diálogos evoluem a história

A história acompanha o protagonista Gran, que está tentando manter a salvo a pequena Lyra de toda uma trupe de guardas do Império. Pelo que pesquisei, essa é mais ou menos a premissa do RPG Granblue Fantasy “oficial”, reapresentada em um mix de cutscenes com (muitos) diálogos e o cumprimento de missões.

É justamente nas missões que a coisa fica chata: o jogo basicamente coloca o jogador em arenas 2D cheia de minions genéricos, e o desafio está em encontrar a maneira correta de eliminá-los… o que nos leva a outra arena, com mais um punhado de capangas para surrar. Pelas imagens, este modo RPG pode parece quase um beat ‘em up, mas na prática é tudo bem mais engessado e menos divertido.

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O Modo RPG é cheio de Quests e Sidequests

Para honrar o título de RPG, neste modo temos mostradores de dano pipocando pela tela a cada golpe, bem como uma evolução baseada em pontos de experiência. Cumprir missões e sidequests pode lhe conceder armas melhores e gemas que aumentam seus poderes. Alguns personagens importantes surgem como aliados ou chefões, e há até inimigos exclusivos (não jogáveis) que irão querer sair na porrada com você.

Acho que a melhor coisa do Modo RPG é que aceita jogatina cooperativa — sendo possível inclusive pedir um help online e deixar seu jogo aberto para outros players entrarem. E já que falamos em jogatina online, vale ressaltar que o jogo oferece o básico para quem quer desafiar conhecidos (ou desconhecidos) para batalhas online.

Audiovisual

Utilizando o mesmo estilo 2.5D de jogos como Dragon Ball FighterZ e Guilty Gear Xrd REV 2, Granblue Fantasy Versus é um jogo deslumbrante. O que temos aqui são personagens modelados em 3D, inseridos em um plano 2D de movimentação. Some isso ao capricho da direção de arte, e o que temos é um dos jogos de luta 2D mais bonitos dos últimos anos.

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Olha esse character design que coisa linda!

A trilha sonora é outro baita ponto positivo do jogo: pessoalmente, aprecio muito as faixas metaleiras e pesadas que a Arc System Works costuma colocar em seus jogos, mas aqui temos uma trilha que puxa mais para o RPG, com direito a orquestras, coros e até músicas cantadas. Combina muito bem com a vibe do jogo.

As dublagens também são ótimas, e concedem bastante personalidade aos lutadores. E o mais legal é que, mesmo no Modo Arcade, rolam diálogos exclusivos de acordo com os personagens que estão se enfrentando. É um detalhe caprichoso, que enriquece o lore do jogo e os laços que já existem entre os guerreiros.

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Como de praxe nos jogos mais recentes da Arc System Works, o motor gráfico do jogo é a Unreal Engine 4, que segue entregando um jogo fluido e uma ótima performance, que roda em 60fps sem engasgos no PS4 Pro. Ah, e vale ressaltar que temos menus e legendas em português brasileiro, o que sem dúvida é muito bem-vindo, especialmente para quem quer curtir a trama e os diálogos do modo RPG.

Conclusão

Granblue Fantasy Versus é mais um baita acerto da Arc System Works, que a cada título que lança, consolida-se como uma das mais competentes produtoras de fighting games da atualidade. Com gameplay dinâmico, visual incrível e uma novo conceito de acessibilidade para novatos, o que temos aqui é um jogo que, em termos de pancadaria 2D, não deixa nada a desejar para os clássicos do gênero.

Análise Arkade: Granblue Fantasy Versus é um ótimo jogo de luta (com pitadas de RPG)

Seu elenco enxuto é um pouco decepcionante — e o fato de já começarmos com 2 personagens “trancados” para serem comercializados separadamente é um ultraje –, e a repetitivdade do modo RPG não me empolgou muito, mas estes problemas não ofuscam as qualidades de um jogo claramente feito com muito carinho, dedicação e atenção aos detalhes.

Então, se você já conhece o universo de Granblue Fantasy, sem dúvida vai curtir esta releitura mais visceral de seu universo e de seus combates. E, mesmo que você (como eu) nunca tenha ouvido falar de Gran, Katalina, Percival e cia., mas conhece o talento da Arc System Works e curte jogos de luta 2D, também vai encontrar um baita jogo por aqui.

Granblue Fantasy Versus foi lançado em 3 de março para o Playstation 4. Esta semana — mais precisamente no dia 13/03 –, o game desembarca nos PCs.

2 Respostas para “Análise Arkade: Granblue Fantasy Versus é um ótimo jogo de luta (com pitadas de RPG)”

  • 9 de março de 2020 às 22:15 -

    !!!!Helinux!!!!

  • Em termos gerais, não me adapto muito a jogar me portáteis e afins…tenho uma certa dificuldade dependendo da jogabilidade do game!!!! Gostei da Analise do game…que, apresenta influência de determinados ¨Fantasy¨ em termos de características, personalidade e também nos mostra algo novo em termos de fight e combos!!!! Um jogo com mecânica boa e que uma boa música estilo heavy metal tem tudo a haver!!!!

    • 9 de março de 2020 às 22:16 -

      Helinux

    • Valeu!!!!

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