Análise Arkade: Lego DC Super-Villains é um mais do mesmo com pinta de mau

6 de novembro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: Lego DC Super-Villains é um mais do mesmo com pinta de mau

Se você está cansado de ser o bom moço no mundo dos games, prepare-se para criar seu próprio vilão e tocar o horror por Gotham City, Metrópoles e outros cenários icônicos do universo DC com o divertido Lego DC Super-Villains, confira nossa análise!

Quando os vilões tornam-se heróis

Já cansamos de controlar os heróis da DC em jogos variados, e poder visitar o “lado negro da Força” é algo que sem dúvida chama a atenção, especialmente pela qualidade dos vilões da editora. O foco aqui é neles por um motivo muito simples: a Liga da Justiça foi “jogada para escanteio” pelo Sindicato da Justiça, um supergrupo de vilões que se fazem de mocinhos e, ao mesmo tempo em que se proclamam os novos defensores da Terra-1, planejam tocar o terror por aqui e jogar a culpa em alguém.

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O Sindicato da Justiça: lobos em pele de cordeiros

Este “alguém” acabam sendo justamente os vilões clássicos da DC, e quando eles se dão conta que há um novo grupo de vilões na área, decidem desmascarar os novatos para reassumir seu posto. É uma inversão de papéis curiosa: os vilões acabam meio que virando heróis, justamente para poderem voltar a ser vilões (?!), desconstruindo aquela diferença entre heróis, vilões e anti-heróis que já discutimos aqui.

Neste panorama, criamos um novo supervilão, que após uma fortuita fuga da cadeia, vai unir forças com figurinhas carimbadas do universo DC para tentar desbancar estes novos supervilões. E aí, encara este desafio?

Jogando Lego DC Super-Villains

Quem jogou qualquer jogo da série Lego nos últimos anos certamente já sabe o que esperar deste novo: mecanicamente o jogo segue a mesma fórmula que já conhecemos e, embora na teoria criar seu próprio supervilão seja divertido, na prática ele acaba meio que virando apenas um coadjuvante de luxo ao lado de Coringa, Sinestro, Arlequina, Lex Luthor e tantos outros personagens legais.

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Coringa, Lex e Arlequina

Verdade seja dita, opções de personalização não faltam: há toneladas de capas, botas, chapéus, perucas, óculos, luvas e por aí vai, além de acessórios, armas e itens que vão sendo destravados conforme avançamos — é possível atualizar/alterar o visual do personagem praticamente a qualquer momento. Nada disso vai torná-lo mais carismático, mas pelo menos vai deixá-lo mais estiloso!

Compensa a falta de carisma justamente o fator time: em nenhum momento temos apenas um personagem na tela. Para valorizar o lado cooperativo tão forte na franquia, o negócio é trabalhar em equipe, e o jogo cria situações que demandam as habilidades específicas de cada personagem. A Hera Venenosa, por exemplo, pode usar plantas para criar pontes e trampolins, enquanto o Pistoleiro usa sua mira infalível para acertar alvos e o Flash Reverso usa sua super velocidade para acionar dispositivos temporais.

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Hera Venenosa usando seus poderes

O supervilão que criamos aos poucos vai angariando novos superpoderes que meio que emulam habilidades importantes de outros personagens. Ele pode, por exemplo, aumentar ou diminuir de tamanho, algo que o Cara-de-Barro também faz, e esta habilidade é deveras útil para solucionar puzzles e liberar passagens. Isso justifica sua presença constante no grupo, e também ajuda a compensar a mudez e a falta de carisma de nosso supervilão.

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Meu supervilão ficou com cara de mímico caolho XD

No mais, é aquilo de sempre: destrua coisas para ganhar moedinhas e, dependendo do tipo de peças, você pode rearranjá-las em algo que seja mais útil para o seu progresso. Misturando pequenos puzzles com trechos de plataforma e um hub que funciona como a área open world do jogo, Lego DC Super-Villains entrega a mesma fórmula que já foi testada e aprovada em outros títulos, e que já está se tornando cansativa.

Audiovisual

Lego DC Super-Villains também não inova muito em aspectos audiovisuais, até porque não há muito o que aprimorar aqui. A mistura de ambientes quase realistas com bonequinhos de Lego continua charmosa, os efeitos de iluminação são muito bons, e o jogo mantém o humor bobinho e fanfarrão que cativa crianças e adultos.

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Uma das novidades é a função “selfie”, para tirar retratos

Um diferencial pra lá de bacana deste jogo é a presença de diversos dubladores famosos, que há anos emprestam suas vozes para filmes e desenhos animados do universo DC aqui no Brasil. Tais vozes já têm “a cara” dos personagens, e reconhecê-las é algo que torna a experiência ainda mais legal. Ok, a Warner convidou um Youtuber para dublar o Superboy, mas no geral o que temos aqui são profissionais gabaritados da área de dublagem, entregando performances tão boas quanto a que vemos em outras mídias.

Confira uma cutscene dublada em PT-BR que capturamos abaixo:

Jogos Lego dublados não são novidade, mas este caso torna-se especial por trazer vozes que crescemos ouvindo nas animações da DC, o que agrega um fator nostálgico bem interessante. A trilha sonora cumpre seu papel — a música tema é particularmente boa –, e os efeitos seguem aquele padrão engraçadinho típico da série.

Conclusão

Apesar de não trazer nenhuma novidade relevante à fórmula, Lego DC Super-Villains diverte, e é especialmente recomendado para fãs da DC Comics, especialmente aqueles que já tem pimpolhos em casa para curtirem o game junto.

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Os marmanjos (como eu) talvez já estejam de saco cheio desta fórmula, mas é fato que ela ainda funciona para a turma mais nova. Os vilões concedem um tempero extra, mas a verdade é que o game está mais preocupado em oferecer diversão sem compromisso do que em reinventar a franquia, ou mesmo agregar novidades que justifiquem tantos lançamentos (é o segundo jogo Lego só em 2018).

Lego DC Super-Villains foi lançado em 16 de outubro, e está disponível para PC, Playstation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

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