Análise Arkade: O souls-like com tiroteio de Remnant: From the Ashes

7 de setembro de 2019
Autor: Renan do Prado
Análise Arkade: O souls-like com tiroteio de Remnant: From the Ashes

Depois de anunciar Darksiders 3, o pessoal da Gunfire Games já começou a trabalhar em mais um novo título inédito, se aventurando por um dos subgêneros mais famosos da atualidade, o Souls-like. E dessa aventura nasceu Remnant: From the Ashes!

E é hora de vermos como o game acabou se saindo, misturando o já citado Souls-like com tiroteio e foco na jogatina co-op. Então sem mais enrolação, vamos lá!

Um multiverso pós-apocaliptico

Análise Arkade: O souls-like com tiroteio de Remnant: From the Ashes

Remnant: From the Ashes está ambientado em uma Terra pós-apocalíptica, em meados dos anos 2000-2010, mas sem que ninguém saiba o tempo exato. O planeta foi inteiramente devastado por monstros conhecidos comente como “A Raiz“, uma entidade de mente única e exércitos intermináveis.

A Raiz tem ficado mais e mais forte, chegando no ponto em que a humanidade está sob risco de extinção. E para tentar encontrar um forma de sobreviver, o jogador deve tentar chegar até o atol, uma torre em uma remota ilha no meio do oceano, que acredita-se ser a origem do surgimento da Raiz.

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E assim, embarcamos numa jornada para salvar a humanidade, desbravando não só a Terra, mas diferentes outros mundos, lares de criaturas alienígenas e mágicas que também estão ligados com a Raiz, tendo já sido devastados por essa terrível raça, ou que de alguma forma conseguiram resistir.

Um competente TPS Souls-like

Remnant: From the Ashes possui uma jogabilidade competente ao misturar tiroteio com Souls-like, mas afastando-se um pouco do subgênero, diferente de Immortal Unchained, outro TPS Souls-like mais puro que se inspira mais em sua fonte.

O gameplay é basicamente o mesmo de um shooter comum, movimentação, botão de mira, botão de tiro e ataques físicos. O game possui um atalho de itens nos direcionais do controle ou em teclas específicas do teclado, além de um botão dedicado a usar o item principal de cura, o coração de dragão, e por fim um interessante recurso, um botão para ativar mods de armas.

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No game, seu personagem evolui de forma diferente de outros RPGs no estilo. Ao matar inimigos o jogador ganha sucata, que é a moeda do game, usada para comprar itens e melhorar seus equipamentos. O jogador também ganha XP, que é usado para melhorar estatísticas do jogador, mas que são diferentes dos status normais de um RPG.

Não existe medidor de força, destreza, inteligência e etc. A evolução do personagem melhora certas características específicas, como tempo de recarga de armas, vigor, custo de vigor, estabilidade da mira, resistência a dano elemental e vários outros traços, que precisam ser desbloqueados! O jogador deverá derrotar chefões e cumprir missões paralelas para conseguir desbloquear mais características para melhorar o personagem, e aí, usar pontos acumulados ao subir de nível para melhorá-los.

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Já poder de ataque é totalmente independente do personagem, ficando a cargo inteiramente do poder de fogo de suas armas. Assim como em Dark Souls, você precisa de materiais para melhorar suas armas, deixando-as cada vez mais fortes. Além disso, você pode equipar mods em suas armas, sendo um mod por arma.

Os mods adicionam habilidades extras que se recarregam quando mais inimigos o jogador matar e possuem diversos efeitos diferentes, como gerar uma área de cura, adicionar efeito de fogo em suas armas, disparar orbes radioativos, e muitos outros efeitos diferentes que fazem toda a diferença nos combates.

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Nesse game você pode fazer carinho num cachorro mutante!

Um ponto negativo do game, mas de certa forma relacionado ao próximo tópico que discutirei, é a lentidão do game, movimentação, uso de itens, recarga de armas são bem lentas, ao ponto que muitas vezes tentar jogar sozinho se torna bem frustrante.

Dificuldade e Co-op

Remnant: From the Ashes é um game com um sistema de mapas procedurais, dessa forma, cada jogador explorará um conjunto único de mapas, que no game são divididos em áreas abertas e dungeons. E esse sistema traz tanto coisas positivas como negativas.

O lado positivo é que cada jornada terá um mapa único, com diferentes localizações de inimigos e layouts. O lado negativo é que itens importantes também aparecem em locais aleatórios, o mesmo com alguns chefões, podendo acontecer até mesmo de certos itens e chefões não aparecerem em uma jornada, dependendo da forma que os mapas forem construídas.

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Essa é uma dupla de chefões que pode não aparecer para alguns jogadores. E eles ainda conjuram muitos inimigos para ajudá-los.

Em meu gameplay, do início ao fim, me deparei com algumas situações um tanto desanimadoras. Como encontrar um boss opcional que só aparece ao se coletar o item final de uma dungeon, morrer e depois nunca mais vê-lo, pois o gatilho de sua aparição não existe mais. E cerca de três ou quatro chefões sequer apareceram no meu game por conta disso.

Porém, mesmo com os cenários procedurais, o game foi construído pensando em jogatina co-op. Muitas áreas possuem tantos inimigos que fica difícil de derrotar jogando sozinho, mas não impossível, mas todos os chefões do game foram pensados no co-op, pois todos, sem exceção, irão conjurar vários inimigos para auxiliá-los em batalha.

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Esse boss, se estiver próximo do jogador atacará incessantemente e ainda convoca vários inimigos poderosos com ataques a distância

E em certas batalhas, se o jogador estiver sozinho, a sorte acaba sendo um fator importante, sorte pela quantidade de inimigos no cenário, suas localizações e o padrão de ataque dos chefões, pois muitas vezes você estará completamente cercado por inimigos atacando sem parar, além do chefão, que muitas vezes pode te matar com apenas um único ataque.

Dessa forma, a melhor maneira de jogar é via co-op. O game permite times de até quatro jogadores, com configurações para o jogador jogar apenas em solo, apenas com amigos ou em modo público.

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Jogando em modo público, os jogadores são conectados um ao outro aleatoriamente. Quando uma conexão acontecer, um aviso aparecerá na tela, porém para que os jogadores possam jogar juntos, ambos deverão descansar no ponto de controle da área que estiver (o equivalente as bonfires aqui), assim, os jogadores serão colocado no mesmo mundo.

Em minhas jogatinas, fui notificado várias vezes sobre jogadores entrando na minha partida, porém o game não avisa que é preciso interagir com um ponto de controle para que o co-op aconteça. Assim, pude jogar um pouco com apenas um jogador. E a experiência é bem divertida. Todos os recursos coletados são recebidos por ambos os jogadores, houve pouco lag e o chefão que enfrentei foi muito mais tranquilo do que se eu tivesse tentado jogar sozinho, pois muitos inimigos apareciam durante a batalha de tempos em tempos.

Audiovisual

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Remnant: From the Ashes possui um visual bom. Por ter uma temática pós-apocalíptica, os cenários são cheios de desolação. A terra é composta por cenários urbanos abandonados, com prédios caídos e várias raízes e fungos luminescentes cobrindo tudo.

Os outros mundos também possuem visuais muito bem criados, com um mundo de desertos infindáveis, um mundo de florestas de faunos, um pântano com “elfos” sombrios e etc. Cada mundo seu seus próprios tipos de inimigos, cada um com diferentes padrões de ataques, tamanhos e forças.

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Por ter seus cenários gerados proceduralmente, infelizmente rola muita repetição no visual das dungeons, e muitas vezes você passará por dungeons virtualmente idênticas, apenas com pequenas semelhanças. Isso pois o game gera os mapas a partir de blocos, para evitar caminhos sem saída ou mapas sem sentido. Assim, muitas cavernas e prédios serão idênticos em suas salas, corredores e muitas vezes no próprio caminho dentro deles.

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O game possui uma boa trilha sonora, apesar de não ser muito marcante. Cada mundo do game possui uma música tema, normalmente calma e baixa, muitas vezes quase inaudível, mas quando algum combate se inicia, uma música intensa começa a tocar, até que o último inimigo próximo seja morto, nesse momento, seu personagem irá soltar algum comentário indiciando que o perigo acabou e você poderá relaxar por um instante.

Aliás, aqui fica um aviso, sempre que você ouvir um som alto, como o de metal arranhando (por falta de melhor definição), se prepare, pois algum inimigo especial apareceu e está indo te atacar. Esses tipos de inimigos sempre aparecem quando o jogador está matando muitos inimigos em pouco tempo, então sempre tome cuidado.

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Um ponto baixo do sistema de áudio do game é que é possível ouvir inimigos próximos, suas respirações e seus passos, porém o game não faz um bom trabalho de direcionamento dos sons. Ou seja, você ouvirá os inimigos, mas não conseguirá definir de onde os sons vem até que seja tarde demais. Talvez isso pareça algo não muito importante, mas em games como Dark Souls, Bloodborne e vários outros, isso faz muita diferença.

O game ainda conta com menus e legendas em português brasileiro, com um ótimo trabalho de tradução. Porém, vez ou outra o game acaba se confundindo e misturando textos em inglês com português em descrições de itens e alguns diálogos curtos.

Conclusão

Análise Arkade: O souls-like com tiroteio de Remnant: From the Ashes

Remnant: From the Ashes é um game divertido e desafiador, porém pensado mais na jogatina co-op, o que de certa forma prejudica a experiência de quem quiser se aventurar sozinho, pois as batalhas contra os chefões foram criadas pensando em dois ou mais jogadores juntos.

Diferente de Immortal: Unchained, esse é um game mais lento, com um gameplay mais direto ao ponto, com seu sistema de evolução de personagem mais direto e incentivo a exploração e descoberta, com seus cenários procedurais.

Se você for se aventurar pelo game e for fã de Souls-like, certamente vai se divertir, mas o verdadeiro potencial do game só é revelado ao se jogar em grupo, e se for um grupo de amigos, é ainda melhor.

Remnant: From the Ashes foi lançado no dia 20 de agosto com versões para PC, Playstation 4 e Xbox One.

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