Análise Arkade: RiME é uma bela e envolvente jornada rumo ao desconhecido

26 de Maio de 2017
Autor: Rodrigo Pscheidt

Análise Arkade: RiME é uma bela e envolvente jornada rumo ao desconhecido

Muito tempo se passou desde que RiME foi anunciado. O jogo sumiu por uns tempos, deixou de ser exclusivo do PS4 e hoje, enfim, está chegando às lojas virtuais. Mas e aí, será que o jogo é bom? Descubra em nossa análise completa!

Contextualizando

RiME é o tipo de jogo que cativou todo mundo já de cara. Anunciado durante a Gamescom lá em 2013 –sim, 4 anos atrás –, o game é uma produção da Tequila Works, estúdio independente que nos entregou o competente survival pós-apocalipse Deadlight e, mais recente, lançou o surpreendente The Sexy Brutale (leia esse review, sério, vale a pena).

De 2013 para cá, o jogo passou por alguns perrengues nos bastidores: o acordo de exclusividade com a Sony (que seria a distribuidora) foi rompido, e com isso o futuro do game tornou-se nebuloso. Felizmente, a Grey Box assumiu a distribuição do game, que no início do ano ressurgiu das cinzas, agora como um título multiplataforma.

Análise Arkade: RiME é uma bela e envolvente jornada rumo ao desconhecido

Quando jogos demoram muito para sair ou passam por esse tipo de problema, a gente geralmente fica com um pé atrás. Não são poucos os exemplos de jogos que tiveram um desenvolvimento conturbado e, por conta disso, acabaram deixando a desejar. Será que RiME escapa desta “maldição”? Vamos descobrir!

Um garoto, uma raposa e uma torre

RiME é mais um daqueles jogos que nos oferece uma grande jornada com um mínimo de história. Como em Journey e outros games do tipo, nenhuma palavra é dita aqui: tudo é muito subliminar, com situações que vão se conectando para garantir a continuidade da aventura.

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Controlamos um garotinho sem nome que acorda em uma bela praia de uma ilha exuberante e cheia de mistérios. Pela lógica, ele escapou de um naufrágio, e acabou indo parar ali. Mas isso é mostrado de maneira sutil e fragmentada, e a história do menino em si é contada através de gravuras, que você visualiza ao espiar por buracos de fechadura escondidos pela ilha.

Nesta ilha, torres e construções enormes dividem espaço com fauna e flora dignas de um conto de fada. Há também templos, ruínas e estátuas, muitas estátuas. E é de uma delas que ganha vida sua “guia” nesta aventura, uma simpática raposinha que vai estar (quase) sempre apontando o caminho certo que você deve ir.

Confira abaixo nossos primeiros 25 minutos de gameplay:

Supostamente, seu objetivo principal é chegar ao topo da maior torre da ilha, onde há um imenso buraco de fechadura. Assim, você segue sozinho por cenários surrealmente belos, explorando ruínas dignas de Shadow of the Colossus e descobrindo novas formas de avançar. Como em Journey e The Last Guardian, RiME não nos conta uma história do jeito convencional, mas sem dúvida entrega uma jornada memorável, cheia de emoção e significado.

Exploração e puzzles

Ao contrário de Journey — que é uma experiência bem linear –, RiME é muito mais aberto, e te deixa muito mais livre desde o início. Claro que nem tudo é acessível de cara: há uma progressão que deve ser respeitada, mas no geral você sempre tem muito espaço de exploração. Porém, por mais relaxante que seja simplesmente “passear” sem rumo pela ilha, atenção às sutis pistas (e à raposinha) que sinalizam onde você deve ir. Sem bússolas, mapas nem nada do tipo, é preciso ficar ligado para não acabar perdido.

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Prepare-se para escalar muito em RiME.

A exploração é simples, e na maior parte do tempo faz o jogo parecer quase um walk simulator. Felizmente, porém, ele não fica só nisso: há muita verticalidade na exploração, com trechos de escalada dignos dos melhores momentos de Prince of Persia. E há também puzzles muito bem integrados ao contexto da ilha, que brincam com perspectiva e luz e sombra de formas muito criativas.

O gameplay é simples e intuitivo: além de correr, escalar e nadar, o garotinho também pode empurrar, arrastar e carregar coisas, e pode “comunicar-se” de forma rústica cantarolando e gritando — sim, isso tem sua utilidade. E é assim, entre exploração, escaladas, puzzles e portas fechadas (que precisam ser abertas, claro, e encontrar a chave faz parte da brincadeira), que RiME vai nos guiando por seu belo e solitário mundo.

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Ainda que alguns puzzles sejam um tanto trabalhosos, poucos são realmente difíceis, é mais questão de prestar atenção ao cenário (lembre, este é o tipo de jogo que não te explica nada diretamente) e entender como o puzzle funciona. Vez ou outra o jogo surpreende com novas situações — como uma enorme área subaquática, ou um trecho onde devemos fugir de um enorme e sinistro pássaro –, ou áreas menos coloridas e mais sombrias, mas no geral o game mantém uma cadência muito aprazível. RiME é gostoso de jogar.

É mais um Journey-like?

Sim e não. Eu citei Journey muitas vezes aqui (e ainda citarei mais algumas vezes até o fim desta resenha) e sem dúvida é possível traçar vários paralelos entre os games, mas no geral eles têm uma pegada uma pegada um pouco diferente, apesar de suas muitas similaridades.

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Considero Journey mais uma experiência do que um jogo: ele é breve, envolvente e intenso onde você se preocupa basicamente em seguir em frente, correndo, planando e surfando pelas dunas. O gameplay em si é simples, e não há muitos empecilhos que te impeçam de chegar ao fim da jornada. Já RiME é mais complexo e pode ter alguns percalços: pode acontecer é de você ficar travado em algum puzzle, por exemplo. Nunca há combate direto, ainda que existam criaturas hostis (que parecem os Dementadores de Harry Potter) que devem ser evitadas.

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Um dos “Dementadores” do game.

RiME, no geral, tem mais cara de jogo de videogame, se comparado com Journey: você arrasta caixas, escala, carrega orbes de energia e deve se preocupar em ficar sem ar quando está mergulhando (há até corais que soltam enormes bolhas de ar, no melhor estilo Sonic). RiME oferece uma jornada envolvente e memorável, mas, ao contrário de um “walk simulator”, ele se preocupa em trazer um pouco mais de gameplay ao contexto. Ah, e ele é relativamente mais longo, também: levei cerca de 8 horas para ir até o fim, enquanto Journey mal dura 3 horas.

Audiovisual

A direção de arte de RiME é simplesmente espetacular. Ele é quase o tempo todo ensolarado e colorido, mas mesmo quando a noite cai — sim, há um ciclo de dia/noite rolando, e você pode até interferir nisso –, seu mundo é incrivelmente belo. Com um ar que é cartunesco sem cair no clichê, o que temos aqui é um daqueles jogos que são bons não só de jogar, mas também de assistir.

Confira abaixo o dispositivo que nos permite “controlar o tempo”no jogo:

O level design em si também merece destaque: por ser um jogo totalmente desprovido de diálogos ou palavras (não há nem hud na tela), é preciso que o design seja bom para sinalizar ao jogador o que ele deve fazer ou onde ir sem depender de tutoriais, setas ou instruções. Na maior parte do tempo, ele faz isso muito bem, sinalizando de forma competente beiradas que podem ser escaladas e objetos que podem ser carregados, sem deixar “escancarado”. É sutil e demanda atenção do jogador, mas funciona para não deixar ninguém perdido.

Este capricho não se limita somente ao visual, mas se estende também ao áudio: os sons da natureza da ilha — o grasnar das gaivotas, o ruído poderoso das cachoeiras — são impressionantes, e criam uma imersão incrível naquele ambiente. A trilha sonora orquestrada lembra muito a de Journey, e isso é um tremendo elogio, afinal ela é espetacular, potencializando a solidão inerente do game e os momentos dramáticos e emocionantes.

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Seja de dia…

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Ao entardecer…

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Ou à noite, o visual de RiME é sempre incrível.

No PS4, o game deu umas engasgadas leves — quedas de framerate e umas “travadinhas” –, mas foram problemas pontuais, e nada que torne o game injogável. Vale ressaltar que jogamos antes do lançamento, então pode ser que isso seja corrigido com patches. Ah, e sempre é bom lembrar que, embora o game não tenha diálogos nem textos, os menus estão em português brasileiro!

Conclusão

E aqui respondo a pergunta que deixei lá na introdução deste artigo: RiME escapa da “maldição” dos jogos que são muito adiados e passam por perrengues de produção? A resposta é um retumbante sim! Mesmo com todas as tretas que rolaram nos bastidores, RiME é um jogo lindo, envolvente e gostoso de jogar.

Análise Arkade: RiME é uma bela e envolvente jornada rumo ao desconhecido

Eu fui um dos que embarcou no “trem do hype” por este jogo já pelo primeiro trailer. Journey é uma das melhores experiências que tive no mundo dos games, e jogos que pendem para este estilo — outro bom exemplo é ABZÛ — sempre despertam meu interesse. E fico feliz em afirmar que não saio decepcionado.

RiME não tenta ser só uma cópia de Journey, e se preocupa em oferecer mais variedade em seu gameplay. Seu mundo é incrível, misterioso e cheio de segredos, e a sublime união de visual e trilha sonora tornam esta uma experiência que merece ser jogada por qualquer gamer de bom gosto. A história meio que fica em segundo plano, mas a jornada em si faz a experiência valer a pena.

RiME está sendo lançado hoje (26/05) para PC, Playstation 4 e Xbox One. Em breve ele também vai chegar ao Nintendo Switch. Este review foi feito com base em uma cópia de PS4, que recebemos antecipadamente da assessoria da Grey Box.

3 Respostas para “Análise Arkade: RiME é uma bela e envolvente jornada rumo ao desconhecido”

  • 27 de Maio de 2017 às 15:54 -

    Onigumo

  • Ola Rodrigo otima materia, esse tem sido um otimo ano para quem gosta de ico! ( e quem nao gosta ne?) Alem de last guardian e praey for the gods agora temos rime, titulo muito bonito e muito bem vindo com certeza! Agora voces da redaçao saberiam me dizer onde posso comprar rime versao pra pc? A versao do steam e horrivel, o citra tem um desempenho muito melhor, ela e cheia de bugs e come quadros que nem louco parece ate um fallout 3 mal modado, mais uma vez parabems pelo trabalho e obrigado

  • 29 de Maio de 2017 às 20:34 -

    Carmine DGênio

  • ICO? Foi uma das experiências mais frustrantes que tive com games. Parei em um local que não conseguia fazer a mulherzinha ir comigo e depois de minutos tentando de tudo eu entendi que ‘engine’ era mal feita mesmo, apesar do jogo ser lindo. Qual a graça em ser impotente e fraco? Talvez seja porque joguei pouco tempo depois que lançou e nem tinha ‘tuturiais’ e detonados. Shadow of The Colossus foi outro. Só consegui achar 1 colosso em dias de jogo. O cavalo é HORRÍVEL de comandar.

  • 3 de junho de 2017 às 00:48 -

    Onigumo

  • Complementando a materia nessa ultima semana os desenvolvedores de rime estavam se gabando do uso do denuvo um esqueminha de proteçao contra pitaria que havia no game, so pra acrescentar em geral o denuvo costuma dar muita dor de cabeça para faz cracks de jogos ( contudo nao entendi muito bem a segurança dos desenvolvedores visto que o denuvo havia sido passado para tras a pouco tempo com o resident evil novo….) , dai eles resolveram publicar que caso o jogo fosse pirateado o sistema de proteçao seria removido oque facilitaria a vida dos crackers, e pois bem foi oque aconteceu, foi lançado emtao no dia 1 um update do rime retirando o denuvo, pelo que ouvi dizer a remoçao do drm haveria melhorado bastante o desempenho do jogo ( oque e uma coisa que ha muito se fala internet a fora) contudo eu propio ainda nao pude confirmar porque devolvi o jogo na steam como havia comentado a pouco tempo. E emtao oque acharam do posicionamento dos desenvolvedores? Depois da bola fora que o denuvo deu no resident evil mais recente nao foi meio ingenuo da parte deles atiçarem tal pratica? E em relaçao aos drm, serao eles mesmo tao danosos ao desempenho dos jogos ( e segundos ums e outros ate mesmos a unidades de disco) como a comunidade vem afirmado? Aliais oque voces tem achado de rime? Belissimo nao?

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