Análise Arkade: Songbird Symphony é uma cativante mistura de adventure com ritmo

10 de agosto de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Songbird Symphony é uma cativante mistura de adventure com ritmo

Muita gente gosta de jogos de plataforma. Jogos de ritmo também têm uma boa parcela de admiradores. O que acontece quando a gente mistura estes dois gêneros a uma história super fofinha e alto astral? O resultado é Songbird Symphony, um joguinho que esbanja carisma!

Quase o Patinho Feio

Songbird Symphony nos apresenta a Birb, um pequeno e gorducho pássaro cinza que não sabe quem são seus pais, nem de qual espécie ele é. Birb foi adotado por um pavão meio doido, mas está disposto a conhecer suas origens e descobrir quem de fato ele é.

Para isso ele resolve trocar uma ideia com a sábia Coruja da floresta, e ela até pode ajudá-lo, mas também precisa de uma ajudinha: acontece que ela tem uma máquina especial capaz de mostrar a Birb quem são seus pais, mas para funcionar, a tal máquina precisa do canto de sete diferentes espécies de pássaros.

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Birb e a sábia Coruja

Assim, nosso pequeno Birb é incumbido da missão de viajar para conhecer os domínios de diferentes pássaros, na esperança de aprender o canto de cada um deles. Claro que eles terão suas próprias demandas para lhe pedir, de modo que Birb acaba virando uma espécie de “quebra galho” para todos, em troca da nota musical secreta de cada povo.

Falando assim o jogo até parece um MetroidVania, mas sua estrutura é um bocado mais simples e linear: cada povo que visitamos é como uma fase auto-contida, e depois que fizermos tudo o que há para se fazer ali, podemos avançar (provavelmente por um outro caminho, antes indisponível) rumo à próxima nota musical. Não há muitas indas e vindas pelos mesmos lugares, ainda que isso ocasionalmente aconteça para voltarmos ao covil da Coruja.

Um jogo que poderia ser um musical

Songbird Symphony é um jogo leve e pacífico. Não há combate, e a exploração resume-se a trechos simples de plataforma 2D que nunca tentam sacanear o jogador nem serem difíceis demais. É o básico andar, pular e planar que já vimos milhões de vezes.

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As coisas que temos de fazer geralmente também são simples: coletar penas, encontrar filhotinhos perdidos pelo cenário, entregar algo a alguém, e por aí vai. Novamente, nada muito complexo, basta um pouco de atenção para saber o que cada NPC quer. Salvo algumas paredes que escondem passagens secretas, tudo é bastante óbvio.

O diferencial começa justamente nas partes de ritmo. Cada encontro que temos com algum personagem importante é meio que “uma batalha de rap”: o adversário vai realizar uma sequência específica de comandos, e você deve repetir o procedimento, respeitando a batida da música.

No início isso é bem fácil, mas cada nova nota musical que coletamos acrescenta um novo botão a ser apertado nestes desafios, ou seja, a dificuldade é crescente. Quando já estiver com umas 5 notas, vai ver como estes mini-games podem ser desafiadores!

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Olha quanto botão!

O jogo também desconstrói aquele padrão de notas descendo pela tela, ou apenas vindo pela lateral. Aqui, os comandos surgem na tela de maneiras altamente diferenciadas, quicando em cogumelos ou sendo trazidas por pássaros. Isso exige o máximo de atenção do jogador, especialmente quando há sequências muito rápidas de notas sendo tocadas em sequência.

Tipo assim, ó:

O mais legal é que, em casa um desses encontros, vemos a letra da música passando na tela, como num karaokê. Assim, ó:

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Na real nenhum dos pássaros realmente canta (até porque não há vozes no jogo), mas o jogador é incentivado a cantar, e as músicas realmente passam mensagens bacanas e coerentes com as situações e personagens.

Pra falar a verdade, eu não vejo a hora que algum grupo de fãs malucos se dê ao trabalho de gravar todas as canções do jogo com vocais, realmente cantando as músicas. O resultado sem dúvida seria muito interessante!

Audiovisual

Songbird Symphony apresenta uma pixel art extremamente colorida e simpática, e esbanja carisma com seus pássaros que são tão fofinhos quanto desengonçados. Birb dá um show, e uma de suas animações é uma dancinha de olhos fechados que é uma das coisas mais fofas que eu já vi um amontoado de pixels fazer. É um jogo onde talento e criatividade trabalharam juntos para criar algo realmente encantador.

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No departamento sonoro, nem tem o que dizer: os já mencionados números musicais são incríveis, e a tela sonora em geral também é muito boa, e vai incorporando novos elementos conforme Birb cumpre seus objetivos. Acionar plataformas e abrir portas envolve pequenos exercícios musicais de sincronia (tipo quick time events, mas de ritmo), e é impressionante como todos sempre estão em perfeita harmonia com a música da fase.

No que diz respeito à apresentação, acho que a única mancada do jogo é não trazer legendas em nosso idioma. Há muitos diálogos e trocadilhos divertidos, e um bom entendimento de inglês faz-se necessário para desfrutar de tudo isso. No mais, é um jogo que esbanja carisma em cada frame.

Conclusão

Eu adoro jogos de ritmo, e gosto de vê-los sendo incorporados a outros gêneros. No ano passado já tivemos o excelente Wandersong, e Songbird Symphony tem a mesma pegada, misturando uma aventura fofinha e divertida a desafios musicais que vão ficando cada vez mais complexos.

Análise Arkade: Songbird Symphony é uma cativante mistura de adventure com ritmo

É um jogo facilmente indicável para quem curte plataforma e ritmo, mas acho que ele até extrapola essa bolha, pois é divertido e cativante o suficiente para ser apreciado por gamers em geral. E ainda faz isso de um jeito tão “good vibes” que é difícil não se encantar.

Birb já entrou para o meu rol de personagens mais queridos dos últimos tempos, e sua aventura realmente me conquistou. Recomendo que dê uma chance para esse jogo, que tal qual o Patinho Feio da fábula, acaba por nos surpreender ao se revelar um belo cisne.

Songbird Symphony está disponível para PC, Playstation 4 e Nintendo Switch (versão analisada).

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