Análise Arkade: 9 Monkeys of Shaolin mistura kung fu, monges e piratas

21 de outubro de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: 9 Monkeys of Shaolin mistura kung fu, monges e piratas

9 Monkeys of Shaolin, o mais novo jogo do Sobaka Studio, é um beat ‘em up diferenciado: ao invés de utilizar seus punhos para espancar os inimigos, você usa bastões, e a pancadaria tem um viés mais realista, visto que se inspira em movimentos reais do kung fu.

A história é simples, mas efetiva: controlamos um jovem pescador chamado Wei Cheng, que viu seu vilarejo ser invadido e destruído por um grupo de piratas. Único sobrevivente do massacre, ele acabou sendo salvo por um grupo de monges shaolins, que, infelizmente, chegaram tarde demais para salvar a vila.

Wei Cheng então é acolhido pelos monges e é treinado por eles nas artes do combate. Quando os piratas Wokou retornam para tocar o terror novamente na região, Cheng encontra sua oportunidade para se vingar dos assassinos de sua família.

Análise Arkade: 9 Monkeys of Shaolin mistura kung fu, monges e piratas
As cutscenes são estáticas, mas bem estilosas

Os monges conversam bastante entre uma missão e outra, mas no geral não há uma grande história sendo desenvolvida. Nossa base serve como uma espécie de hub: conversando com um monge, melhoramos nossos atributos, com outro, pegamos novas missões, e por aí vai.

Pancadaria Shaolin

9 Monkeys of Shaolin é, em essência, um beat ‘em up, mas ele traz um tempero extra, uma camada extra de profundidade. Há beat ‘em ups que usam apenas um botão de ataque para tudo, e os mais arrojados costumam ter dois; um para socos, outro para chutes. Aqui temos 3 botões diferentes: um para chutes (quadrado no PS4), outro para ataques “fracos” com o bastão (triângulo) e um terceiro que aplica golpes fortes (círculo).

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E não para por aí: conforme avança na curta campanha do jogo, você ganha acesso a novas “posturas” de ataque, que ficam atreladas ao botões R2 e L2. Ou seja, segurar R2 e apertar quadrado gera um novo tipo de chute, R2 + O resulta em outro ataque forte, e por aí vai. O L2, por sua vez, é reservado para magias, incluindo uma muito útil magia de cura.

A pancadaria do jogo é fluida, e funciona bem. Os golpes têm impacto e são mnuito acrobáticos. O problema é que os ataques inimigos também têm muito impacto! Mesmo na dificuldade normal, 9 Monkeys of Shaolin é um jogo bem desafiador, pois você está sempre em desvantagem numérica, e o chá verde (item de cura padrão do game) não cura quase nada. Depois que você ganha a magia de cura, a coisa melhora um pouco, mas você vai passar boa parte do jogo tendo que se virar só com o chá.

Confira um pouquinho de gameplay no vídeo abaixo:

Um detalhe interessante, que acho que é bem raro de se ver no gênero, é que há friendly fire entre os inimigos. Isso quer dizer que os inimigos podem se acertar com golpes, flechadas, explosivos… um inimigo pode até tocar fogo em outro acidentalmente. Jogando no coop com outro player, o friendly fire pode ser ativado ou desativado a gosto do jogador.

Porém…

Sendo bem honesto com você: na prática, não há nada de errado com o gameplay de 9 Monkeys of Shaolin. O problema é que ele simplesmente não é um jogo muito empolgante. Ele não é muito longo (dura umas 4 horas), mas mesmo assim, ele nunca decola, você vai estar sempre indo para a direita e espancando malfeitores.

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Repara no monte de corpos pelo chão… mas os inimigos continuam vindo…

Ok, “ir para a direita surrando inimigos” é a premissa básica do gênero, mas alguns simplesmente fazem isso melhor do que outros. Há jogos que acrescentam novidades à fórmula — como perseguições de avião –, mas em boa parte deles, o feeling da experiência é mais satisfatório. O de 9 Monkeys of Shaolin só é ok.

Talvez o problema dele seja o excesso de inimigos: há inimigos com armaduras, ou padrões de ataque específicos, que mereciam um combate 1×1, algo mais estratégico, num estilo meio Sekiro (há inclusive uma mecânica de parry aqui, que rebate flechas, dardos e outros projéteis). Se o jogo fosse menos frenético e mais cadenciado, as qualidades de seu rico sistema de combate seriam mais evidentes — e mais efetivas.

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Momentos como esse são raros, mas muito satisfatórios

Como os inimigos vêm sempre aos bandos, o jogador nunca consegue saborear a profundidade das mecânicas, de modo que a ação vira um “button mash” sem muita variação. Eu sinceramente acho que, se fosse um jogo de “duelos 1×1” no estilo do bom e velho Karateka, 9 Monkeys of Shaolin seria bem mais interessante.

Audiovisual

Aqui o jogo faz um trabalho bastante competente, mas com ressalvas. O visual é um 3D estilizado, quase low poly, que funciona por ser diferente — fugindo do pixel art ou do 2D “desenhado à mão” que dominam o gênero, mas que não acho particularmente bonito. Os cenários vez ou outra surpreendem com alguns detalhes, mas no geral também não são impressionantes.

Análise Arkade: 9 Monkeys of Shaolin mistura kung fu, monges e piratas
Alguns detalhes, como as estátuas neste cenário, são bem impressionantes

É no áudio, porém, que o jogo acerta em cheio: beat ‘em ups costumam ter trilhas sonoras bem aceleradas, que podem ser metal/rockeiras ou aquele eletrônico oitentista com uma vibe meio Yuzo Koshiro (lendário compositor de Streets of Rage). Aqui, porém, temos uma trilha toda feita em cima de instrumentos típicos japoneses, com muitos taikos e flautas, e ela é impressionante. A música do menu inicial já é incrível, e no geral, ela se mantém muito boa. Acho que eu nunca tinha jogado um beat ‘em up tão preocupado em trazer uma música mais atmosférica, e o resultado aqui realmente engrandece a experiência.

As dublagens do jogo também são muito boas, um recurso que nem todo jogo do gênero se dá ao luxo de ter (nem Streets of Rage 4 tem cutscenes dubladas). Esse carinho, porém, não se manteve nas legendas: o game não possui nenhum tipo de localização para o nosso idioma.

Conclusão

9 Monkeys of Shaolin é um bom jogo, que nunca alcança seu verdadeiro potencial. A impressão que tenho é que os desenvolvedores se esmeraram para criar um sistema de combate com profundidade, porém, esse sistema nunca é plenamente aproveitado, e as lutas são mais bagunçadas do que deveriam. Mesmo chefes, que poderiam render combates 1×1 interessantes, sempre vêm acompanhados de capangas que ficam jogando bombas em você e desvirtuando o que poderia ser uma boa batalha estratégica.

Análise Arkade: 9 Monkeys of Shaolin mistura kung fu, monges e piratas
Elementos do cenário, como o fogo, também acertam os inimigos, tire vantagem disso

Como em tantos outros exemplos do gênero, o jogo não só fica mais divertido no coop, como também mais fácil: um jogador pode reviver o outro, o que diminui (um pouco) a dificuldade. Há coop local e online, então sugiro que procure um player 2 para acompanhá-lo, se quiser deixar a coisa um pouco mais justa e divertida.

2020 está sendo um bom ano para os beat ‘em ups, e vimos muitos bons jogos sendo lançados. 9 Monkeys of Shaolin não fica entre os melhores, mas também não é um jogo ruim. Só poderia ser melhor. Se você já jogou tudo o que saiu ultimamente, e está atrás de um jogo que é “mais do mesmo”, mas com bastões e bambus ao invés de punhos e canos, pode ser que o jogo te agrade.

9 Monkeys of Shaolin foi lançado em 16 de outubro, com versões para PC, Playstation 4 (versão analisada, rodando no PS4 Pro), Xbox One e Nintendo Switch.

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