Análise Arkade: Kill la Kill IF traz pancadaria 3D com estética de anime

1 de agosto de 2019
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: Kill la Kill IF traz pancadaria 3D com estética de anime

A Arc System Works continua trazendo a pancadaria dos animes para o mundo dos games: depois do elogiado Dragon Ball FighterZ, agora a empresa entrega Kill la Kill IF, jogo de combate em arenas onde jovens estudantes usam uniformes “turbinados” para travarem duelos insanos!

Uma história de vingança

Eu nunca assisti ao anime Kill la Kill, nem nunca li sequer uma página do mangá. Felizmente, o jogo pensou em caras como eu, pois seu modo história faz um bom trabalho em nos introduzir ao mundo do game, seus personagens e motivações. E o fato da narrativa ser toda desenvolvida em cutscenes animadas torna o jogo praticamente uma extensão do anime.

A história gira em torno da estudante Ryuko Matoi, uma jovem que está determinada a vingar a morte do seu pai. Quando ela é transferida para a Academia Honnouji , seu temperamento explosivo a coloca em rota de colisão com a jovem Satsuki Kiryuin, que é presidente do conselho estudantil e uma exímia guerreira.

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Essa é a Satsuki

A mãe de Satsuki e seus lacaios parecem ter alguma ligação com o assassinato do pai de Ryuko, o que vai acabar transformando as garotas em rivais. E aqui as rivalidades se resolvem na base da porrada, graças aos Uniformes Goku — trajes feitos a partir de uma fibra especial (Fibras de Vida, em tradução livre) que concedem habilidades sobre-humanas a seus usuários.

Convenientemente munida de uma espada capaz de cortar as tais Fibras de Vida — uma espada em forma de tesoura, da qual ela só tem um lado –, Ryuko irá encarar um desafio conhecido como Seleção Natural para tirar os outros do seu caminho e tentar desvendar o mistério que envolve a morte de seu pai.

A história faz sentido? Não necessariamente. Mas, como em todo mangá/anime que se preza, o plot um tanto absurdo é amparado por um ótimo elenco, com personagens carismáticos que precisam lidar com seus traumas e superar seus medos.

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E essa é a Ryuko.

O modo história possui 2 campanhas diferentes — uma de Satsuki, outra de Ryuko, com histórias que se cruzam, mostrando os acontecimentos por dois pontos de vista. Apesar da minha falta de conhecimento, ambas as campanhas me agradaram, e serviram para me deixar a fim de conhecer melhor o universo de Kill la Kill, o que sem dúvida é um atestado de qualidade, pois antes do jogo eu tinha 0 interesse na obra.

Pancadaria de arena

Eu mencionei a Arc System Works lá em cima, mas a verdade é que ela é apenas a publisher deste Kill la Kill IF. Quem produz o jogo é o A+ Games, sob a supervisão do estúdio Trigger, que é o responsável pelo anime. Isso não é nenhum demérito, mas quem espera algo na linha acelerada e cheia de combos dos jogos da Arc System Works — como BlazBlue, Guilty Gear ou o próprio Dragon Ball FighterZ — deve repensar suas expectativas.

Em termos de gameplay, Kill la Kill IF está muito mais para os jogos da Spike Chunsoft ou da CyberConnect2. Pense em Jump Force, na série Naruto Ultimate Ninja Storm ou mesmo em Dragon Ball Xenoverse — me refiro aos combates, não à parte de exploração e RPG dos jogos supracitados — e você vai ter uma boa ideia do que temos aqui.

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Ryuko e Satsuki saindo no braço

Ou seja, na prática, Kill la Kill IF é um jogo de pancadaria em arenas tridimensionais que segue a linha dos que listei ali em cima.Os personagens possuem livre movimentação 3D pela arena, e contam com ataques básicos, projéteis/magias e habilidades especiais, que são combinados sem muita firula para formar combos simples.

Confira abaixo meu gameplay com a Satsuki para sacar qual é a do game:

Confesso que este não é o meu estilo de fighting game preferido, mas no geral o game faz um bom trabalho, entregando batalhas ágeis e empolgantes. Através de atalhos simples no controle — do tipo L1 + botão –, aplicamos golpes especiais que consomem quadrantes da barra de super, e vêm acompanhados de todo o exagero e a pirotecnia que se espera de uma batalha de anime.

O gameplay no geral é simples e mais focado em combate direto do que em magias exageradas — salvo por um ou outro personagem mais apelão à distância, como a Nui. O jogo tem poucos personagens selecionáveis — são apenas 8, contando os que liberamos depois que terminamos as duas campanhas, mas compensa isso pelos poderes e habilidades bem distintos de cada um.

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Em se tratando de modos de jogo, também não há muito o que explorar aqui: além das duas campanhas, temos modos de jogo Versus bem manjados (casual, ranked, etc.), e uma área de treinamento. É possível gravar e compartilhar replays, mas como o jogo mal foi lançado, não pude explorar muito de seu componente online.

Audiovisual

Ainda que eu não ache o traço de Kill la Kill IF particularmente bonito, os fãs sem dúvida não terão do que reclamar: o jogo emula com perfeição o visual do anime, adotando um visual 3D com cel shaded aplicado que foge daquele visual “borrachudo” que vimos em Jump Force e outros jogos tridimensionais baseados em animes. E, como há muitas cutscenes animadas aqui, o conjunto da obra é bastante coeso e coerente.

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Prepare a pipoca, pois há muitas cutscenes animadas

Os combates são rápidos e ocasionalmente a câmera se perde, mas no geral dá gosto de ver o impressionante volume de animações e golpes de cada personagem enquanto a pancadaria come solta. Apesar da velocidade, tudo é muito fluido, e as animações são muito boas.

É interessante como a estética que (provavelmente) é utilizada no anime migrou para o game sem perder seu apelo: vez ou outra algum golpe faz enormes ideogramas japoneses aparecem pela tela (enquanto o personagem faz alguma pose heroica), o que enriquece bastante o game esteticamente.

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Tipo assim

O áudio é outro ponto pra lá de positivo: a dublagem original japonesa é daquele jeito gritado e exagerado que a gente bem conhece, o que é ótimo. Felizmente, os dubladores em inglês também conseguiram levar muita personalidade aos personagens, gritando e interpretando bastante. A trilha sonora traz um mix de rock e techno com músicas cantadas que combina perfeitamente com game.

Um detalhe interessante está na galeria: conforme joga, você vai acumulando moedinhas usadas para liberar itens da galeria. Além de dioramas, artworks, músicas e cutscenes, os fãs vão se deliciar com os recadinhos especiais que os dubladores de cada personagem gravaram para eles (os fãs). É um detalhe super simpático, que deixa claro que houve muito carinho e respeito à fan-base durante a concepção do jogo.

Conclusão

Kill la Kil IF não tenta reinventar a roda, e entrega mecânicas muito semelhantes às de diversos outros jogos de luta baseados em anime que já existem por aí. É uma fórmula que parece meio inerente ao gênero “jogo baseado em anime”, e se por um lado ela funciona suficientemente bem para entreter, por outro faz o jogo parecer com uma dezenas de outros.

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Venha pelo jogo, fique pelo anime

O diferencial aqui está justamente na história, nos personagens. Nisso o jogo acerta, pois não só introduz os novatos àquele universo, como gera uma vontade de conhecermos mais, buscarmos outras mídias para conhecer melhor Ryuko e toda a galera da Academia Honnouji.

Então, se você curte Kill la Kill e está familiarizado com jogos de luta baseados em anime, vai encontrar algo bastante familiar. Se não conhece a obra, o game pode ser uma boa porta de entrada (ainda que existam formas mais baratas de conhecer a obra original, seja por anime ou mangá). Seu apelo sem dúvida é mais forte com a fan base, e essa galera vai receber um jogo um tanto enxuto, mas divertido.

Kill la Kill IF foi lançado em 25 de julho, e está disponível para PC, PS4 (versão analisada, rodando no PS4 Pro) e Nintendo Switch. O jogo não tem suporte para o nosso idioma, trazendo dublagens em japonês e inglês, menus e legendas em inglês.

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