Análise Arkade: The Complex, um intenso filme interativo guiado pelas suas decisões

31 de março de 2020
Autor: Rodrigo Pscheidt
Análise Arkade: The Complex, um intenso filme interativo guiado pelas suas decisões

The Complex, o novo lançamento da Wales Interactive, não é exatamente um game, está mais para um filme interativo. Você assiste, toma decisões, e vê uma história bastante tensa sendo alterada conforme as suas escolhas!

Se tem uma empresa empenhada em manter os bons e velhos jogos em FMV vivos, é a Wales Interactive. Quase todos os games do gênero que analisei nos últimos anos foram lançados por eles, e alguns trouxeram novidades muito interessantes, como o investigativo The Shapeshifting Detective , que inclusive é capaz de mudar o assassino, para estimular o jogador a reviver a história diversas vezes.

The Complex é um pouco menos arrojado do que isso, mas ainda assim é uma experiência que merece ser jogada/assistida. A protagonista é a Dra. Amy Tenant, pesquisadora que está fazendo grandes avanços na área de nanotecnologia combinada com células-tronco para curar o organismo humano e regenerar tecidos perdidos.

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Ela trabalha em um mega complexo científico — daí o nome do jogo — e durante uma apresentação, descobre que uma estagiária da instituição está demonstrando sintomas de “contaminação” por suas nano células, que ainda não deveriam estar sendo testadas em seres humanos.

Enquanto está fechada no laboratório para investigar, Amy descobre que o complexo foi invadido por terroristas, e que talvez sua “paciente” tenha sido contaminada propositalmente, para que as nano células fossem retiradas de lá ilegalmente. Mas quem está por trás desta conspiração? Como sair de lá, visto que o oxigênio não vai durar para sempre? Isso é algo que você vai ter que jogar/assistir para descobrir!

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Rees, o parceiro de Amy, é cheio de piadinhas

O roteiro é muito bem escrito, e apesar da curta duração do jogo ( pouco mais de duas horas, como um filme, mesmo), consegue construir personagens, relações e motivações sólidas. Créditos ao talento da roteirista Lynn Renee Maxcy, que também assina roteiros da elogiada série The Handmaid’s Tale.

Bifurcações & Escolhas

The Shapeshifting Detective, lançado pela Wales Interactive no finalzinho de 2018, trazia uma experiência de jogo bastante densa: no papel de um detetive, podíamos fazer diversas perguntas para um grupo de pessoas, na esperança de angariar pistas para um assassinato.

O diferencial era que, conforme o nome sugere, nosso detetive podia mudar de forma, assumindo a aparência de qualquer um dos demais personagens (imagem acima). Isso permitia que você mudasse suas táticas de aproximação, pois os personagens podiam estar dispostos a serem mais honestos com quem lhes inspirasse mais confiança, ou com quem tivessem algum tipo de relação mais próxima.

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Legal, mas dá pra falar do nosso jogo, agora?

The Complex, com o perdão do trocadilho, é bem menos complexo do que isso. Aqui o que temos são basicamente bifurcações em pontos chave da história, e você escolhe se quer ir pelo caminho A, ou pelo caminho B. Decisão tomada, a história segue um determinado rumo — de acordo com a sua escolha — e você basicamente assiste “o filme” até a próxima bifurcação/escolha. É algo mais próximo do que vimos em Late Shift, ou mesmo em Black Mirror Bandersnatch, primeiro filme interativo da Netflix.

Isso não quer dizer que as escolhas são fáceis, longe disso. Já nos primeiros minutos de jogo, temos dois pacientes sofrendo terríveis convulsões: um jovem cheio de planos para o futuro e uma mulher grávida. Só temos uma dose de vacina, ou seja, um deles vai morrer. Quem vai ser? Você decide!

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Para piorar, você tem pouquíssimos segundos para tomar suas decisões!

Ou seja, ainda que seu padrão narrativo seja mais tradicional, ele ainda coloca o jogador diante de alguns dilemas bem tensos. E, menos escolhas não necessariamente resultam em uma história linear: The Complex possui 9 finais diferentes, e centenas de cenas que você vai ver (ou não) de acordo com suas escolhas.

Um detalhe interessante é que, ao longo de todo o o jogo, você pode conferir infográficos que ilustram seu grau de afinidade com os demais personagens, bem como as características mais fortes da “sua” versão da Dra. Tenant. Tipo assim, ó:

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Isso é legal para você ter certo controle póstumo das suas decisões, e pode ajudá-lo a tomar decisões diferentes para chegar a novos finais, se quiser reviver a experiência.

Jogo com cara de filme

Por ser um jogo filmado com atores reais, não tem muito como analisarmos seu audiovisual. Porém, se analisarmos como filme interativo, The Complex é bastante competente, trazendo boas atuações com atores e atrizes que, no geral, se entregam a seus papéis. Há no elenco gente que participou de séries famosas, como Game of Thrones e Bad Blood.

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Os cenários e a fotografia também são muito caprichados, e ainda que alguns detalhes deixem clara a natureza indie do jogo, no geral ele faz um ótimo trabalho em camuflar suas limitações. Houve muita dedicação para criar um mundinho que pareça ligeiramente futurista, sem que a falta de orçamento deixasse tudo tosco.

O mesmo vale para a trilha sonora, que acompanha na medida a pegada de thriller + sci fi que temos aqui. The Complex não é um filme com orçamento dos blockbusters de Hollywood, mas poderia tranquilamente ser uma produção original Netflix: um pouco mais modesta, mas competente e bem feitinha.

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Ah, e vale ressaltar algo muito positivo aqui: ao contrário de The BunkerLate ShiftThe Infectious Madness of Doctor Dekker, Simulacra e do próprio The Shapeshifting Detective, desta vez temos um jogo com menus e legendas em português brasileiro, para não deixar ninguém boiando na trama! Finalmente, Wales Interactive! Mandou bem na localização!

Conclusão

Já que falamos em Netflix ali em cima, aqui vai um “desabafo”: acho que seria bem legal se a Wales Interactive e a Netflix se unissem para lançar estes jogos/filmes interativos no catálogo do serviço de streaming. É um formato que super funciona para ser jogado pelo controle remoto, e já vimos até jogos da Telltale sendo adaptados para este cenário.

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Não que The Complex seja particularmente caro (na Steam está saindo por menos de 25 reais), mas é um preço que talvez desencoraje quem busca jogos mais longos e elaborados mecanicamente. E, 25 reais, como a gente sabe, é meio que o preço de uma mensalidade básica da Netflix.

Bom, mas devaneios logísticos à parte, o fato é que The Complex é um filme interativo bem competente. Pode não ser tão arrojado quanto outros jogos da Wales Interactive, mas entrega uma história envolvente, boas atuações e obriga o jogador a tomar decisões bem tensas. Recomendado especialmente aos apreciadores dos bons e velhos jogos em FMV!

The Complex está sendo lançado hoje (31/03), com versões para PC, Playstation 4, Xbox One (versão analisada) e Nintendo Switch. O game possui menus e legendas em português brasileiro.

2 Respostas para “Análise Arkade: The Complex, um intenso filme interativo guiado pelas suas decisões”

  • 1 de abril de 2020 às 20:56 -

    Helinux

  • Gosto muito de jogos nesse estilo!!!! Começou nos anos 90 na época de jogos de PC e Sega CD, lembro!!!! Bela analise…para quem gosto, recomendo!!!! valeu galera!!!!

  • 2 de abril de 2020 às 19:57 -

    Santos

  • Parece que tomaram vergonha na cara e localizaram em português The Shapeshifting Detective e Simulacra 2. Outros bons games recentes neste estilo são Erica e Telling Lies, mas nos últimos cinco anos foram mais de 30 lançados (tenho uma lista).

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