Editorial: a difícil missão de zerar jogos muito grandes

1 de dezembro de 2018
Autor: Rodrigo Pscheidt

Editorial: a difícil missão de zerar jogos muito grandes

Meu nome é Rodrigo Pscheidt. Tenho 32 anos, e ainda não consegui zerar Red Dead Redemption 2. Nem Horizon Zero Dawn. Nem Assassin’s Creed Origins (o Odyssey muito menos). Nem The Witcher 3. Nem Zelda Breath of the Wild. E essa lista vai longe, meu amigo…

A difícil missão de arranjar tempo para jogar

Eu não sei se você também passa por isso, mas preciso desabafar: eu simplesmente não consigo mais ter tempo para terminar jogos muito grandes. Por “jogos muito grandes”, me refiro a games com toneladas de quests, sidequests e atividades aleatórias, salpicadas em mapas que vão ficando cada vez maiores.

Entendo que jogos são caros, e quando  gente investe nosso rico dinheirinho em um jogo, espera que o jogo, em troca, ofereça um mínimo aceitável de horas de diversão. É justo. Mas também é algo que torna-se incompatível com a “vida adulta” da gente.

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Queria eu ter tempo para ficar de bobeira ao redor da fogueira…

Acredito que me encontro na mesma posição de milhares de outros gamers pelo Brasil afora: acordo cedo e trabalho em horário comercial (8h às 18h). Depois do trampo ainda tem academia, aula, outros compromissos, e tal. Em um dia “normal”, eu só consigo sentar no sofá para jogar algo ali pelas 21h e, com sorte, jogo umas 2 horas e pouco.

Até parece um tempo razoável em uma primeira olhada, mas há jogos que simplesmente não comportam “partidas rápidas”: seus mundos demandam mais tempo, mais comprometimento, mais entrega, para que a imersão aconteça.

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Red Dead Redemption 2 é um ótimo exemplo: se eu pegar para jogar por 2 horas e meia, é provável que  eu só consiga cumprir uma missão importante, e olhe lá. Eu vou gastar um tempo cavalgado, indo e voltando do acampamento. Durante este caminho, várias coisas podem acontecer — tipo emboscadas, eventos aleatórios, e sabe Deus mais o quê. Aí eu vou gastar um tempinho comprando roupas, fazendo a barba, escovando meu cavalo, tomando um banho… e quando vejo, já acabou o meu “tempo” para jogar, e não evoluí praticamente nada na história.

Sendo bem honesto, tenho consciência de que sou bem dispersivo, e isso também dificulta um bocado as coisas. Posso estar indo cumprir a missão, aí passa uma borboleta (exemplo fictício), eu resolvo segui-la e quando percebo fiquei uma hora e meia no meio do mato, ou dentro de uma caverna, caçando e cumprindo sidequests. Faço muito isso, e talvez você também faça.

A “difícil” missão de analisar jogos

No meu caso, existe o “agravante” de trabalhar em um site de games, então eu nunca estou jogando apenas um jogo, e preciso dividir meu tempo — e minha atenção — entre 2, 3 ou 4 games diferentes. O último trimestre, então, sempre é uma loucura, pois há toneladas de jogos sendo lançados toda semana.

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De setembro para cá o bagulho ficou louco com tantos lançamentos!

Quem acompanha a Arkade sabe que a gente não fica focado só nos Triple As, e também analisa diversos indie games. Ouso dizer que somos o site brasileiro que mais cobre jogos independentes e afirmo isso com orgulho. Mas cuidar deles só aumenta nossa carga de trabalho. Longe de mim reclamar disso, mas é fato que as vezes eu tenho mais jogos para jogar do que tempo para jogá-los.

Por exemplo: essa semana foi lançado Darksiders III, e recebemos a cópia de review quase uma semana antes do lançamento. Eu sei que este é um jogo que interessa ao nosso público, então fiz questão de me internar nele para zerá-lo, formar uma opinião e publicar um review antes do lançamento, justamente para quem acompanha o nosso trabalho e estava planejando comprá-lo poder conferir a nossa análise antes de tirar o escorpião do bolso.

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Darksiders III dominou minha agenda nos últimos dias

Ou seja, todo o tempo que eu tinha para jogar, eu foquei em Darksiders III. Com isso, minha jornada pelo Velho Oeste de Arthur Morgan simplesmente não evoluiu nada. Ainda estou lá, dormindo no hotel de Rhodes, estagnado no longuíssimo Capítulo 3 — sim, Capítulo 3, então sem spoilers, ok?

Sei que posso parecer babaca ao “reclamar” de ter jogos demais para jogar — especialmente se considerarmos que eu nem preciso pagar por eles — mas a verdade é que a vida adulta vem me impossibilitando de dedicar-me a jogos muito grandes, que demandem muito tempo e dedicação.

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Aloy, querida, juro que um dia eu termino sua jornada! :(

E talvez isso também aconteça com você. No seu caso o problema pode não ser “jogos demais para jogar”. Talvez você tenha filhos, ou faculdade, ou um trampo extra no contra turno, ou tudo isso ao mesmo tempo, sei lá… o fato é: conforme a gente envelhece, vai ficando cada vez mais complicado se entregar de corpo e alma a um jogo.

Com isso, estes jogos enormes, com mundos abertos colossais recheados de objetivos, que demandam 60, 80, 100 horas para serem terminados, vão ficando pelo caminho. E não é porque eu não gosto deles, é simplesmente porque me falta tempo de apreciá-los.

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Kassandra é outra que não anda tendo minha atenção… :(

A difícil missão de se adequar a novos tempos

Aí entram em cena jogos casuais, ou mesmo battle royales: são jogos pensados para partidas mais curtas e diversão mais imediata. Você joga por uns 15 ou 20 minutos, recebe sua recompensa e pronto, segue com sua vida e com seus afazeres até a próxima partida. Acho que FIFA e outros jogos de esporte também se encaixam nesta proposta de entretenimento mais imediatista, mas falo sem conhecimento de causa, pois também não embarco em jogos de esporte.

O problema é que… eu não gosto desses jogos. Já falei (mal) de PUBG em outro editorial (e temos um podcast só falando mal de battle royales), e no geral, acho que eles são muito superficiais para mim. Eu preciso de mais conteúdo, mais história, mais motivação. A competição e o mata-mata por si só não servem para mim. Isso não quer dizer que estes jogos são ruins — afinal, há milhões de players se matando em Fortnite e jogando seu Candy Crush todos os dias — eles apenas não me cativam.

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Não adianta, Battle Royales não são para mim…

Sendo honesto, eu gosto muito de Overwatch — que é um jogo de partidas rápidas –, mas aí entra outro problema: é preciso jogar mais e mais para se especializar em um herói, manter e/ou aumentar seu ranking. Sempre é possível se manter na diversão sem compromisso das partidas rápidas (que é o que eu geralmente faço), mas quem quer jogar “feito gente grande” nas rankeadas precisará de tanto tempo e dedicação quanto seriam necessários para terminar a campanha de um RPG open world.

Ou seja, se de um lado temos Triple As incríveis que demandam muito tempo e dedicação. Do outro, temos jogos que a) ou não me agradam ou b) sua natureza competitiva e viciante pode acabar demandando tanto tempo e dedicação quanto os jogos que eu não tenho tempo para jogar. E aí, como faz?

A difícil missão de abrir mão

A saída para mim acaba sendo abandonar alguns jogos pelo caminho, sem a certeza de que conseguirei finalizá-los um dia. E, claro, aproveitar jogos que ofereçam campanhas menores, e que me permitem ir do começo ao fim no tempo que tenho para jogar. Caso de Darksiders III, Guacamelee 2, A Way Out e tantos outros bons jogos que foram lançados ultimamente. Até Spider-Man e God of War eu consegui zerar, e olha que eles são bem grandinhos.

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A história de Kratos e Atreus eu vi até o fim (mas ainda não cacei as Vaquírias)

O Aranha eu até platinei, mas confesso que esta foi minha primeira platina, em cerca de 8 anos de PSN — fato que deixa claro o quanto eu “não me dedico” plenamente aos games que jogo: platinar um jogo geralmente envolve zerá-lo várias  vezes, em várias dificuldades, e cumprir todos os desafios que ele entrega. Não consigo arrumar tempo para fazer isso.

Felizmente, o mundo dos games é extremamente versátil, e ao mesmo tempo que nos entrega Triple As que carecem de dezenas de horas, também nos traz pérolas que podem ser terminadas em poucas horas. Há jogos de 3, 4 ou 5 horas — tipo Journey ou Little Nightmares — que podem ser tão impactantes e envolventes quanto um jogo de 80 horas.

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Journey: uma pequena grande jornada

Outra opção são jogos de corrida, luta, ritmo e puzzle, que podem ser aproveitados “com calma”, sem que você perca o fio da meada caso passe algum tempo sem jogar — o jogo da vez nesse quesito está sendo o maravilhoso Tetris Effect. Quando se trata de um jogo enorme com história, se você passar algumas semanas sem jogar, quando voltar pode não lembrar direito onde está, o que estava fazendo ou em que pé estava a história.

Entre um jogo menor e outro, vou tocando Red Dead Redemption 2 devagarinho, tentando conciliá-lo com meu trabalho e minha rotina de “gente grande”. Já os outros games que mencionei por aqui, realmente não sei quando (ou se) vou terminar.

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Geraldão e sua turma estão me esperando há uns 3 anos…

Janeiro já tá aí, e com ele chega Kingdom Hearts III, sem dúvida o meu jogo mais esperado dos últimos anos… e antes dele chegar, eu quero arrumar tempo para (re)jogar Kingdom Hearts II (consegui zerar o I de novo esse ano)… e agora tenho menos 2 meses para fazer isso!

A difícil missão de terminar este artigo

Esse editorial acabou tendo um ar de desabafo, mas acho que o meu problema em zerar jogos grandes demais deve afligir muito mais gente por aí. Gente que faz malabarismo para conciliar trabalho, estudo, família e tudo o mais com a paixão pelos videogames.

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Red Dead Redemption 2 foi (um dos) game(s) que motivou este artigo

E você, consegue arrumar tempo para jogos gigantes? Como concilia trabalho, estudo, família e tudo mais com suas horas de jogatina? Estou aceitando dicas! :P

P.S. Boa parte das imagens que ilustram esta matéria fazem parte de um projeto fotográfico que mantenho no Instagram. Se curte jogos com Photo Mode e screenshots um pouco mais “artísticas”, me segue lá: @gamesphotomode

22 Respostas para “Editorial: a difícil missão de zerar jogos muito grandes”

  • 1 de dezembro de 2018 às 23:03 -

    Hudson

  • Super me identifiquei. É a realidade de muita gente. Fico tão satisfeito quando consigo finalizar qualquer jogo que seja, já que outros tantos ficam pelo caminho. Hoje mesmo zerei o Injustice 2. Mas é um tipo de jogo que não sei se me prenderá por muito tempo, já que requer muita dedicação pra evoluir os personagens, aprender trocentos combos… Enfim, muito tempo investido que poderia estar sendo gasto com outros games. É difícil ter hobbies assim quando se é “gente grande”.

    • 2 de dezembro de 2018 às 04:43 -

      Onigumo

    • Pegue um punhado de fãs de quadrinhos e vão jogar injustice 2, a partir do Story Mode, lhe garanto que seu jogo vira outro bem melhor!

    • 2 de dezembro de 2018 às 21:59 -

      Rodrigo Pscheidt

    • É triste, né? Mas, de fato, é um mérito conseguirmos zerar qualquer jogo que seja em meio à rotina da “vida adulta”, então celebremos as pequenas conquistas, haha! Já sabe qual vai ser seu próximo game, ou ainda vai se dedicar mais um pouco ao Injustice 2?

      • 3 de dezembro de 2018 às 09:31 -

        Hudson

      • Rodrigo, ainda tenho que zerar de novo o Injustice 2 escolhendo o outro final.

        Em paralelo, estava jogando Halo MCC. Ainda estou no Combat Evolved. Tava meio chatinho, mas dei uma animada agora que o plot mudou, com a aparição dos Flood. Acho que agora vou conseguir engrenar de vez pra continuar a saga, da qual só tinha jogado o excelente Halo: Reach.

  • 2 de dezembro de 2018 às 00:14 -

    Filipe

  • Me identifico muito com esse texto, Antes tinha tempo não só para jogar, como também entrar em debates sobre games, comentar matérias etc, lembro quando conheci a Alvanista pelo Arkade,tempo bom… Ainda sequer joguei Deus Ex: Mankind Divided e The Witcher 3, sagas que sou fã, por que sei que não terei tempo, vida de adulto não é fácil.

    • 2 de dezembro de 2018 às 04:40 -

      Onigumo

    • Filipe, quando estamos em certa faze da vida coisas como jogos, filmes, series, animes, são muito mais do que entretenimento, eles ajudam a formar concepções que vamos explorar, testar e abusar, sendo assim um afazer como um todo. Depois de um tempo amadurecemos tanto as concepções que as obras já não cabem nossas conjecturas, mas isso não e o fim mas um novo inicio. Você gosta de deus ex? Porque não leva a um novo nível? Traga para a realidade, imagine que simbolismos e mensagens essa ou aquela cena trouxeram e que provavelmente nem o autor percebeu! Porque o mundo de deus ex e assim? Ele se sustenta sob os seus próprios parâmetros? Se não sera que isso por si só já não e uma mensagem? O ser humano e infinito, comece a transbordar!

    • 2 de dezembro de 2018 às 22:01 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Olha, no The Witcher 3 #tamojunto, mas o Deus Ex Mankind DDivided eu consegui jogar, e olha… é um jogaço, evolui muito bem tudo o que o Human Revolution tinha de bom. Tem review aqui no site, caso precise se inspirar e criar coragem, haha https://www.arkade.com.br/analise-arkade-deus-ex-mankind-divided/

      Abraço!

  • 2 de dezembro de 2018 às 02:05 -

    Hudson

  • Complementando: fora o fato de eu me sentir muito frustrado, por não ter conseguido finalizar jogos ou aqueles que terminei a campanha principal, mas que gostaria de ter concluído 100%, como Rise of the Tomb Raider.

  • 2 de dezembro de 2018 às 04:26 -

    Onigumo

  • Creio que seja um problema generalizado. Para mim e um defeito da própria industria. Isso só significa que apesar de grande parte dos jogos AAA serem 18+ (exemplo), suas narrativas e leveis design não levam em consideração o perfil do jogador a quem eles procuram atingir. E quer saber? A tempos isso não se mostra necessário. Fomos acostumados a viver de migalhas, de promessas, “no próximo titulo teremos um material de primeira!”, e Assasins creed esta ai a mais de uma década.
    Entretenimentos fáceis de digerir, sem frustrações e com retornos constantes tem sido buscados cada vez mais, e isso não e só por pessoas adultas. Vivemos na geração que mais assiste do que joga. Oque não e uma surpresa, para muitos jogar deixou a muito de ser entretenimento para se tornar nossa dose diária de entorpecente. E como um viciado, nos inebriamos a qualquer custo. Para muitos a pratica de se debruçar sobre o jogo se tornou fugir para o jogo! ” Vou ter que jogar alguma coisa hoje para ficar sossegado”, ou seja, e uma bengala, não entretenimento.
    Nos somos humanos, racionalizar e oque fazemos, amamos racionalizar, pense assim: Star Wars: Os filmes são péssimos, a maior parte dos livros e jogos também, mas porque e tao amado? Porque a ideia e ótima! Oque amamos em geral e a ideia, de como podemos destrinchá-la e racionaliza-la. Somos envenenados com doses altas e constantes de climax e ardentes e efêmeros prazeres, mas e na racionalização, no se debruçar que mora o deleite.
    Joguei um pedacinho de red dead 2 recentemente, nem arranhei a superfície, mas quer saber, ele e péssimo! Estamos falando de uma sequencia de um jogo 8 anos depois. Quer dizer, de combat evolved para reach são 9 anos… E claro que o jogo foi abandonado e retomado, red dead 2 não tem nada que o tempo de diferença entre ele o primeiro não justifique.
    Retomando, aceitamos tudo que nos e ofertado de bom grado, quando de fato não e nos oferecido nada que preste. Se a experiencia em jogo fosse boa a discurso não seria de quanto tempo foi jogado e sim de quão entretenimento ele gerou! De que adianta um jogo de cowboy em que eu posso levar chumbo grosso de frente? Vencer em desvantagem numérica sem me preocupar muito com cobertura e recarregar, ou se a arma tem range ,ou se alguma outra problemática pode surgir? Red dead e bom porque e bem ambientado ou o design fabuloso encobre um jogo pobre? Ou talvez apenas os nossos olhos cansados estejam tao desesperados que qualquer coisa pareça magnifica? A beleza esta nos olhos não e oque dizem? Mas quer saber, a essência não, o conteúdo não, os olhos nem arranham a superfície.
    Para mim o jogo e meu termômetro, se depois de minha jogatina eu ir dormir sem estar satisfeito e porque meu dia foi uma merda, afinal um dia razoável com um jogo bacana no final e um dia completo .
    Agora no seu caso especifico Rodrigo, o buraco e mais embaixo. Você trabalha com oque ama, não pode filtrar a bel prazer, não e mais apenas sobre entretenimento. Meu conselho e que trabalhe e se divirta.Sabe aquele jogo péssimo que você gosta e já cansou de zerar? Tire um tempo pra jogar ele de novo. Pegue um jogo e vá jogar com uma criança se você puder. Quanto estiver acompanhado pegue um jogo ao leu, que pareça horrível de preferencia e vá desbravá-lo, lhe garanto que as vezes são minutos que geram satisfação por dias e dias. Citando um anime da minha infância: ” Eu sou mesmo um estupido!Como pude me esquecer? Dês de quando se trata de vencer? Dês de quando se trata de ir alem? EU AMO JOGAR!”, ou um mais recente: ” Você ainda não se deu conta? Vida não e sobre sentido ou direção, não se trata de intensidade ou duração, vida, e uma grandeza por si só”

    • 2 de dezembro de 2018 às 22:08 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Nossa, vc elevou a questão a um nível muito mais filosófico e existencialista, haha! Eu não diria que jogos são “entorpecentes”, mas sem dúvida servem como uma válvula de escape, uma dose (muito necessária) de adrenalina e/ou relaxamento depois de um dia estressante de trabalho. Não vejo isso como algo negativo, desde que o jogador não abandone a “vida real” em prol dos videogames. Jogar é ótimo, mas sair com os amigos, sentir a areia da pria entre os dedos, ler um bom livro, levar seu cão ao parque, tudo isso também é ótimo para a gente aliviar o stress.
      E sobre a sua dica, não se preocupe, apesar do tom de desabafo do texto eu sei que sou um felizardo, pois cursei jornalismo sonhando em trabalhar com games, e já estou há mais de 7 anos vivendo este sonho. Claro que jogo muito mais “por obrigação” do que por vontade, mas isso está longe de ser um sacrifício (a não ser que o jogo seja muito ruim, haha).
      E sobre jogar com crianças, esse ano ganhei uma sobrinha! Ela ainda não está na idade de jogar com o titio, mas eu com certeza irei apresentá-la ao maravilhoso mundo dos games quando chegar a hora, haha ! <3
      Abraço!

  • 2 de dezembro de 2018 às 05:39 -

    Ronnie

  • Parabéns pela matéria!
    Jogo cada vez menos por conta disso. Com o tempo você consegue dinheiro para comprar os jogos, mas o tempo se esgota. De certo modo perde até o sentido comprar jogo.

    • 2 de dezembro de 2018 às 22:10 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Valeu, Ronnie!
      E, de fato, quando a gente é novo, tem tempo de sobra para jogar, mas não tem dinheiro. Depois que cresce, temos dinheiro, mas não temos tempo. Será que essa balança nunca nivela, haha?

  • 2 de dezembro de 2018 às 10:28 -

    Lucas Silva Santos

  • Me identifico pacas… Jogos cada vez maiores, tempo cada vez mais curto. Conciliar? Improvável, ainda não podemos comprar tempo. O jeito mesmo é escolher um e chamar de seu até zerar, pois se vc pega outros de iguais tamanhos, está fadado a não finalizá-los.

    • 2 de dezembro de 2018 às 10:43 -

      Hudson

    • Lucas, veio-me uma ideia agora: já pensou como seria legal se a quantidade de missões e colecionáveis de um jogo pudessem ser pré-definidas? Tipo, na hora de iniciar o game, se além de poder escolher o nível de dificuldade, a gente pudesse selecionar o nível de missões secundárias e colecionáveis (por exemplo)? Assim reduziria aquele monte de pontos de interesse que pipocam no mapa a toda hora. Porque você chegaria ao final sem aquela sensação de “ah, ficou faltando fazer tanta coisa ainda”. Seria da ora, não? Fazer 100% do que você se propôs a fazer.

      • 2 de dezembro de 2018 às 10:55 -

        Hudson

      • E, como jogos longos, de mundo aberto, de RPG, lidam com as escolhas que fazemos, por que não decidir isso também? Acho que não seria pedir demais pela inclusão dessa ferramenta.

      • 2 de dezembro de 2018 às 22:59 -

        Lucas Silva Santos

      • É uma ideia muito interessante, meu caro Hudson… Mesmo porque muitos games de mundo aberto têm tarefas desnecessárias, que inflam o jogo, nos fazendo perder nosso precioso tempinho. Afinal de contas, poucos são os “The Witchers 3″…

    • 2 de dezembro de 2018 às 22:12 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Vou te falar que essa ideia do Hudson é muito interessante, haha.
      Já tem jogos que podemos regular o nível de dificuldade dos combates e dos puzzles separadamente (acho que até o último Tomb Raider já fez isso), sem dúvida escolher quanto de “dedicação” temos que ter para ir até o fim seria algo muito bem-vindo. :)

  • 2 de dezembro de 2018 às 11:21 -

    Magno Freitas

  • Meu caro Rodrigo. Tenho 39 anos, sou arquiteto, e sou um voraz consumidor de games e tudo o diz respeito ao assunto. Confesso que é a primeira vez que faço um comentário em um artigo de internet, mas o que vc escreveu é uma realidade que me massacra todos os dias. Jogo desde os 6 anos. Tive Atari e tudo o mais que se seguiu com exceção do neo geo. Hj contemplo uma lista de 47 jogos na prateleira que me dão angústia só olhar. Estou, por exemplo, iniciando hj FfXV que comprei no lançamento.jogos online com os amigos, já desisti. Após fracassar em acompanhá-los em the division, borderlands e gta, aceitei minha realidade.o que faço para amenizar a sensação é reduzir drasticamente a qtde de jogos comprados ( o que facilita a vida pq hj só compro jogos na black friday bem mais baratos) e apendi à apreciá-los como bons vinhos estocados em uma adega. Não é pq são velhos ,que perdem sua majestade. Acabei de finalizar Mad Max, por exemplo. Quase platinei. Estava na prateleira desde o lançamento. Também evito comprar jogos online pq na prateleira controlo melhor o que quero jogar.meu irmão mais novo adora, pq empresto todos os lançamentos pra ele antes de eu mesmo jogar….rsrs. Enfim… sinto sua dor amigo e tenho uma sugestão. Algo que eu mesmo gostaria de fazer, já que conheço toda a história dos games desde o atari. Que tal uma coluna ” vale à pena pra vc que é adulto”…ou algo assim…com avaliações voltadas para nós, com uma atenção especial na complexidade e tempo para finalizar missões. Já pensei em largar tudo e me dedicar à análise de games no YouTube com essa abordagem para ser pago pela jogatina…rsrs. grande abraço e siga com o trabalho bem feito.

    • 2 de dezembro de 2018 às 14:30 -

      Hudson

    • Ótima ideia, Magno. Mas nem precisa de uma seção dedicada. Basta deixar claro nas análises se um jogo tem o “nosso perfil” ou não. Mas, de uma forma geral, sabemos quando um jogo é muito extenso ou não. Antes mesmo do lançamento a gente já fica sabendo de algumas coisas. Veja o novo jogo da CD Projekt Red, por exemplo. Já sabemos que será imenso, maior do que The Witcher 3.

      Eu curto mais os com campanha não muito longa mesmo. Terminei Gears 5 e Titanfall 2 recentemente e fiquei satisfeito de ter conseguido me dedicar exclusivamente a cada um, pois a narrativa e a jogabilidade eram excelentes.

    • 2 de dezembro de 2018 às 22:21 -

      Rodrigo Pscheidt

    • Seja muito bem-vindo, Magno! Também sou gamer desde os tempos do Atari, e tenho quase todos os videogames que angariei ao longo da vida guardadinhos aqui!

      Excelente analogia de games com bons vinhos, haha. De fato, quem pode se dar ao luxo de jogar um game de cada vez e apreciá-lo com calma, sem dúvida consegue uma experiência muito mais rica e imersiva. Sem contar que esperar os preços baixarem e economizar uma grana sempre é uma boa ideia.

      Essa proposta de “jogos para adultos” é uma boa! Vou pensar nisso com carinho, e quem sabe já não começamos 2019 com uma nova coluna no site, voltada justamente para gamers com pouco tempo livre?

      Enquanto isso, convido-lhe para conferir nosso Top 10 “Jogos Para Se Terminar em Apenas 1 Dia”, caso ainda não tenha visto: https://www.arkade.com.br/bons-games-terminar-apenas-um-dia/

      Abraço!

  • 3 de dezembro de 2018 às 22:24 -

    Carlos Schneider

  • Excelente texto. Um tempo atrás disso exatamente isso. Quando era jovem tinha tempo mas n tinha grana pra comprar todos os jogos e consoles q queria e hoje até tenho poder aquisitivo pra isso mas n sobra tempo, ainda mais q sou aficionado por jogos longos especialmente RPGs e em fazer sidequests. As poucas horas q sobram pra jogar ainda sofrem com uma disputa acirrada com filmes/séries, algum livro ou gibi, torneios de poker e por aí vai. Fim de semana tenho minha vida social q n abro mão. O jeito é sacrificar alguma horas de sono pra poder jogar quando sinto mais disposto e assim vamos indo sem pressa, deixando acumular pra jogar nas férias ou na pior das hipóteses na aposentadoria.

  • 5 de dezembro de 2018 às 23:12 -

    Santos

  • Meu amigo, o meu problema não são jogos sem terminar. São jogos sem nem começar! Tenho cerca de 200 jogos nas bibliotecas steam e gog a grande maioria comprada em promoção e sales da vida e sem previsão de uso. Junta o catálogo da netflix e livros comprados na amazon e adios tempo.

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